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ECONOMIA
Sexta-feira, 20 de Agosto de 2021, 00h:00

SAFRA 2021/22

Chuvas em MT devem iniciar na primeira quinzena de setembro

Da Reportagem

“A previsão é de excesso de chuva para safra 2021/22, entre outubro a dezembro em Mato Grosso, quando o volume de chuva estará em torno de 700 a 750 milímetros no acumulado, o clima deve ser muito propício”, declarou meteorologista, professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Luiz Carlos Molion, durante 1º Simpósio Técnico Aprosoja, realizado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT).

O pesquisador explicou ainda, que a média de água para uma boa safra é cerca de 600 milímetros. “A minha preocupação é que se chover muito, quando for janeiro a março de 2022, pode atrasar a colheita e prejudicar a safrinha. Se chover muito no primeiro trimestre do ano que vem pode prejudicar a colheita, mas chuva posso garantir que não vai faltar”, declarou Molion.

De acordo com meteorologista, os mapas avaliados este mês mostram que o oceano Atlântico está aquecido e ele é uma grande fonte de umidade concentrada que pode ser convertida em chuva em Mato Grosso e na Amazônia como um todo.

De acordo com a engenheira agrônoma e gerente de Defesa Agrícola da Aprosoja/MT, Jerusa Rech, os produtores do Estado estão prestes a iniciar a próxima safra a partir do dia 16 de setembro, com o fim do Vazio Sanitário. E liberados para plantar é que entram os desafios da cultura de soja e milho. “O professor Molion já faz parte do nosso cenário, esta já é a quarta vez que ele trabalha conosco pra falar sobre as perspectivas climáticas para o início da safra. Ele tem sido muito assertivo em suas colocações, o que traz mais segurança ao produtor rural para ele tenha uma ideia de como conduzir o plantio da soja e do milho”, disse Jerusa.

A agrônoma disse também que, todas essas temáticas são debatidas no Simpósio Técnico Aprosoja, principalmente as que envolvem as condições climáticas. “No decorrer da safra o clima afeta diretamente a questão de pragas e ocorrências de doenças, que são fatores determinantes para uma boa condução no plantio”.

De acordo com o vice-presidente da Aprosoja/MT, Lucas Costa Beber, o professor e doutor Molion é uma pessoa renomada com vários estudos baseados no fator climático e tem acertado muito. “Ano passado ele trouxe previsões que incomodaram os produtores, por conta da falta de chuva, e esse ano ele veio novamente apresentar aos agricultores as previsões climáticas para que possamos nos planejar para a próxima safra”, declarou Lucas.

ANOMALIA - Um novo padrão de anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Índico pode alterar o clima e o regime de chuvas no Brasil nos próximos meses, revela a meteorologista Paola Bueno, da Meteored. Segundo ela, trata-se da fase negativa do Dipolo do Oceano Índico, ou DOI.

“Enquanto o El Niño segue em sua fase neutra no Pacífico Tropical, outro importante padrão de variabilidade climática tropical retorna à ativa, o Dipolo do Oceano Índico. O DOI consiste num padrão de anomalias opostas entre as porções oeste e leste do Oceano Índico Tropical. Essa diferença de temperatura implica em alterações na pressão, ventos e no regime de chuvas, afetando toda a circulação atmosférica sobre os trópicos, a chamada célula de Walker”, explica ela.

A agência meteorológica australiana Bureau of Meteorology (BOM) foi a primeira a confirmar o evento. “Essa é uma oscilação com fortes implicações no regime de chuvas e temperatura da Austrália. A agência prevê que, com a fase negativa do DOI, a Austrália receberá acumulados de chuva acima da média, principalmente no leste do país”, acrescenta.

De acordo com Paola Bueno, a última vez que o DOI esteve ativo foi em 2019, quando esteve em sua fase positiva – oposta à que é observada atualmente. “Foi uma das mais intensas registradas na história. Esse evento esteve associado a condições extremas de seca e temperaturas altas na Austrália, que desencadearam o pior episódio de incêndios florestais do país.

O que isso implica para o Brasil? Segundo a meteorologista, apesar de distante, variações de TSM no Oceano Índico podem influenciar as condições climáticas sobre o Brasil via padrões de teleconexões atmosféricas. “A porção tropical é mais afetada pelas alterações da célula de Walker enquanto que ondas de Rossby originadas no Índico ficam encarregadas de alterar o regime de chuvas sobre as latitudes médias”, explica.

“Em 2019 o Brasil foi bem impactado pela fase positiva do DOI, registrando um déficit de precipitação em quase todo o país durante os meses de primavera e atrasando o início da estação chuvosa. Enquanto no extremo sul do país (Rio Grande do Sul) foram registrados acumulados de precipitação acima da média”, aponta a especialista.

Ainda de acordo com ela, alguns estudos mostraram que a fase positiva do DOI pode causar ou influenciar um evento de El Niño, enquanto a fase negativa do DOI pode desencadear um evento de La Niña, devido principalmente às alterações dos ventos e TSM sobre o Pacífico Oeste. “Isso corrobora com a previsão de retorno da La Niña nos próximos meses!”, conclui. (Com Agrolink)

 


Edição EDIÇÃO 16962




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