Cade pode aprovar fusão em 4 meses, mas com ressalvas
O professor do Ibmec São Paulo Jairo Saddi afirmou ontem, acreditar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não deve levar mais do que quatro meses para aprovar a fusão dos bancos Itaú e Unibanco, anunciada na última segunda-feira. Na sua avaliação, contudo, o parecer favorável do Cade à operação poderá determinar algumas restrições, sobretudo a imposição de que agências em algumas regiões do País sejam vendidas, a fim de evitar prática de concorrência predatória. Para Saddi, contudo, uma eventual decisão do Cade que determinaria a venda de agências do novo banco que surgirá da fusão do Itaú com o Unibanco não deve ser vista necessariamente como um fato negativo para a instituição que está surgindo. Como eram concorrentes até o fim da semana passada, Itaú e Unibanco, possuem uma rede de estabelecimentos da área de varejo que são geralmente próximas, especialmente nos principais centros comerciais de diversas cidades do País. "Operações como essas sempre repercutem em redução de custos", ressaltou o professor. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) avalia que a união dos dois bancos pode causar demissões de funcionários. Jairo Saddi está seguro de que a fusão dos dois bancos é o início de um movimento de concentração bancária que surgirá no País, um processo inexorável derivado dos efeitos da crise financeira internacional no Brasil. Como devem surgir instituições maiores do que as existentes hoje, ele afirma que as autoridades reguladoras devem aperfeiçoar os mecanismos de supervisão prudencial sobre os bancos. "Uma alternativa oportuna poderia ser que diretores do Banco Central assinassem todos os meses os relatórios de supervisão junto com os dirigentes das instituições averiguadas, a fim de atestar conhecimento periódico e permanente sobre as condições registradas naqueles bancos", frisou.