ECONOMIA
Segunda-feira, 12 de Março de 2012, 20h:36
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CARROS
Brasil e México retomam negociações do acordo
Esta é a terceira tentativa de renegociação do acordo automotivo entre Os dois países
As autoridades brasileiras e mexicanas vão retomar as negociações sobre o acordo automotivo na quarta-feira (14). Com esse objetivo, os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota, embarcam hoje (13) para a cidade do México. Eles vão se encontrar com o ministro da Economia do México, Bruno Ferrari. A ideia é chegar a um entendimento sobre os ajustes na relação comercial automotiva entre os dois países. O Brasil quer que o México limite as exportações de carros ao mercado nacional com tarifa reduzida a US$ 1,4 bilhão. Além disso, as autoridades brasileiras defendem maior participação de conteúdo regional na produção dos veículos, e inclusão de caminhões, ônibus e utilitários no benefício de alíquota reduzida. Esta é a terceira tentativa de renegociação do acordo automotivo entre o Brasil e o México. Autoridades mexicanas estiveram duas vezes no Brasil, em fevereiro, mas não houve avanços nas discussões. O último encontro ocorreu no dia 29 do mês passado, com as presenças da chanceler do mexicana, Patricia Espinosa, e o ministro da Economia do México, Bruno Ferrari. Firmado em 2002, o acordo automotivo permite a importação de veículos, peças e partes de automóveis do México com redução da alíquota de impostos e institui um percentual mínimo de nacionalização dos veículos vindos do país. A parceria isenta os autos da taxa de importação até 35%, cobrada sobre carros de fora do México e do Mercosul. Atualmente o intercâmbio comercial entre os dois países movimenta cerca de US$ 8,5 bilhões - 40% corresponde ao setor automotivo. Pela primeira vez em dez anos, há um saldo negativo para o Brasil. Desde a semana passada, as duas maiores economias da América Latina têm trocado correspondências com propostas de revisão, mas um acordo ainda parece longe de ser alcançado, principalmente depois que o Brasil exigiu a criação de um mecanismo de quotas para a importação de veículos do México. O governo brasileiro pediu que o México limite o valor das suas exportações de automóveis para o Brasil para cerca de US$ 1,4 bilhão para os próximos três anos como parte de um conjunto de demandas para renegociar o acordo do comércio automotivo entre os dois países. A cota foi o valor médio anual das exportações de automóveis do México para o Brasil nos últimos três anos, de acordo com uma carta datada de 8 de março à chanceler mexicana Patricia Espinosa e ao ministro da Economia Bruno Ferrari. Os mexicanos teriam ficado irritados com as negociações por carta e na sexta-feira exigiram que as conversas ocorressem "cara a cara", disse uma fonte do México à Reuters. Pimentel e o secretário de economia do México, Bruno Ferrari, conversaram por telefone na sexta-feira e tentaram reduzir um pouco as tensões da negociação, segundo uma fonte do governo brasileiro. Uma fonte mexicana, porém, disse que as cotas poderiam ser consideradas, desde que levassem em conta as exportações de veículos do México para o Brasil no ano passado, "mais um percentual". Contudo, oficialmente o México ainda não anunciou a rejeição à proposta brasileira, apesar de a embaixada mexicana informar que uma resposta formal foi encaminhada ao governo brasileiro na sexta-feira. Antes de viajar para retomar pessoalmente as negociações, Pimentel se reuniu nesta segunda com a presidente Dilma Rousseff.