ECONOMIA
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011, 20h:51
A
A
EMBARGO RUSSO
Brasil busca reversão
A África do Sul reabriu seu mercado à carne suína brasileira, informou ontem o ministro da Agricultura, Wagner Rossi
DANILO MACEDO
Da Agência Brasil Brasília
Uma missão brasileira estará em Moscou, na Rússia, na próxima segunda-feira, para negociar o fim do embargo às exportações de carne, imposto a 85 frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi. A suspensão foi anunciada no início do mês e entrou em vigor no dia 15. Me reunirei com membros da missão para falarmos sobre a viagem e as negociações. Quero que cumpram o dever de casa e apresentem o que os russos pedirem, disse Rossi. Segundo ele, dos 210 frigoríficos nacionais habilitados a exportar para a Rússia antes do início dos embargos, 140 estarão na lista que será entregue pelos representantes do governo brasileiro, na próxima semana, como cumpridores de todas as exigências impostas pelos russos. Os demais [frigoríficos] terão de se adequar, disse. CRÍTICA O ministro criticou a má qualidade das traduções, para o idioma russo, dos documentos encaminhados pelo Brasil ao diretor do Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia), Sergey Dankvert. Segundo Rossi, os erros de tradução foram objeto de uma reclamação do próprio Dankvert, em reunião que os dois tiveram em Paris, na semana passada, durante encontro de representantes da área agropecuária do G-20 (grupo que reúne países ricos e principais emergentes). Quero tomar providência no setor de comunicação quanto à tradução. O [diretor Sergey] Dankvert disse que ainda não tinha recebido os documentos e o que tinha recebido apresentava algumas incorreções. O Brasil não pode mandar uma tradução inadequada para o Dankvert analisar. Estamos falando de um mercado de US$ 4 bilhões. Não podemos ficar sem tradução. É um desabafo, disse Rossi. O ministro também criticou aqueles que contestam as exigências sanitárias de países compradores de produtos agropecuários brasileiros. Estou mouco de tanto ouvir técnicos dizendo que não é possível que peçam isso ou aquilo. Como não podem? Eles podem pedir o que quiserem. Temos que atender aos nossos clientes, temos que ter um mercado maduro. Todo dono de bar sabe que o cliente tem sempre razão. ÁFRICA DO SUL A África do Sul reabriu seu mercado à carne suína brasileira. O anúncio foi feito ontem pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que ressaltou que o país africano foi o último a reverter sua posição após o foco de febre aftosa registrado em 2005 no Brasil. As últimas negociações foram feitas no fim da semana passada em Pretória com dirigentes do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca sul-africano. É nossa terceira vitória do setor de suínos: abrimos o mercado da China, dos Estados Unidos e, agora, o da África do Sul. E também estamos avançando com a Coreia do Sul e o Japão, disse Rossi em coletiva de imprensa. MEDIDA Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, a África do Sul tomou, em 2005, uma medida exacerbada em virtude de foco de febre aftosa em bovinos em Mato Grosso do Sul e barrou as exportações inclusive de Santa Catarina, reconhecida internacionalmente como área livre de aftosa sem necessidade de vacinação.