ECONOMIA
Sexta-feira, 18 de Julho de 2008, 20h:29
A
A
INFLAÇÃO
Bancos elevam projeção de juros
As vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mais uma instituição revisa para cima sua projeção para o rumo da Selic. Desta vez foi o Citibank Brasil, que substituiu sua estimativa de alta de 0,50 ponto porcentual pela de 0,75 pp na próxima semana. No relatório de julho, a equipe do UBS Pactual também explicitou a mudança de posição nesse sentido. Se a expectativa destas instituições estiver correta, a Selic volta a 13% ao ano, nível verificado pela última vez em janeiro do ano passado. O economista-chefe do Citibank, Marcelo Kfoury, não descarta a possibilidade de mais instituições mudarem suas projeções até quarta-feira, quando a decisão do Copom será anunciada. "Isso pode acontecer se a Focus voltar a mostrar piora", afirmou. Algumas impressões levaram à revisão da aposta do Citibank, de acordo com Kfoury. A primeira foi a deterioração das expectativas do mercado na pesquisa semanal Focus, do Banco Central, para a inflação de 2009. O documento mostrou que houve uma alta da mediana das projeções de 4,91% para 5% no período. Esta piora, de acordo com ele, manteve o juro real ante no nível de 8,70%, que vem sendo visto desde abril - antes estava em 7%. "Ou seja, mesmo a alta de 1 ponto base da Selic desde abril (duas altas de 0,50 pp foram decididas pelo Copom no período) não surtiu efeito sobre o juro real", considerou. Ainda neste ponto, Kfoury acredita que a própria projeção do Banco Central para a inflação do próximo ano deve passar por uma alteração de 4,7%, de acordo com o último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ao final de junho, para 5,1%. "O presidente (do BC, Henrique) Meirelles tem sido enfático ao dizer que a autoridade monetária será firme em trazer a inflação para o centro da meta em 2009", observou. "Se o BC não abandonou a meta e a projeção continua a subir, é compreensível que acelere a alta agora", continuou. Ainda que a política monetária exerça um efeito mínimo sobre o IPCA deste ano, Kfoury ressalta que a atuação do BC ficará por conta do canal das expectativas. "O BC ainda está lutando para não romper a meta de 2008, pois isso teria como reflexos a necessidade de uma desinflação maior em 2009 e a perda da credibilidade do BC, o que deixaria Meirelles numa situação não muito confortável", avaliou.