ECONOMIA
Segunda-feira, 28 de Julho de 2014, 20h:06
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MILHO Bt
Após estudo de campo, Aprosoja formaliza perda de resistência
Produtores reclamam de problemas com lagartas e da alta dos custos na safra
A Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) notificou extrajudicialmente as empresas Monsanto, DuPont, Dow e Syngenta devido à perda da eficiência da tecnologia transgênica de milho Bt. Teoricamente, essas cultivares seriam resistentes às lagartas, no entanto, no último ciclo o que se viu foram os danos que os insetos causaram nas lavouras de milho em Mato Grosso. A Aprosoja/MT identificou que o custo de produção aumentou em decorrência das aplicações a mais de inseticidas. Na prática, além do impacto sobre o ambiente, significa um custo não programado ao produtor que chegou a R$ 120 por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), fora a queda na produção. Para se ter uma ideia do peso global de uma aplicação a mais, basta considerar que mais de 3,21 milhões de hectares foram cultivados nessa safra e que o problema da perda de resistência já vinha sendo observado, em campo pelos produtores, desde a safra passada no Estado. Queremos que as empresas apontem uma solução rápida para as perdas e também uma forma de ressarcir quem foi prejudicado, resume o presidente da Aprosoja/MT, Ricardo Tomczyk. É um típico caso de produto que prometia um resultado que nunca foi entregue, ou seja: propaganda enganosa. A perda da resistência do milho Bt às lagartas foi identificada pela Aprosoja/MT em março, quando surgiram os primeiros relatos de produtores mato-grossenses assustados com o que viam em campo. Em seguida, a Associação passou a reunir laudos técnicos com dados, fotos e a análise econômica do prejuízo financeiro do produtor. Coube ao Imea calcular os gastos extras que os produtores tiveram na tentativa de controlar a incidência das lagartas. Em sua notificação, a associação define prazo de dez dias para que as empresas se manifestem oferecendo soluções para as falhas apresentadas pela tecnologia, bem como uma forma de ressarcir os prejuízos enfrentados pelos produtores rurais de Mato Grosso. SEMELHANÇA - Em abril de 2004 o sindicato rural de Diamantino (209 quilômetros ao médio norte do Estado) questionou a eficiência do agroquímico Stratego, da Bayer, que teria sido ineficaz no combate à ferrugem, causando perdas médias de 50% nas lavouras da safra 2003/04. Na região estimou-se na época um universo de 50 produtores, e área total de 75 mil hectares (ha) tratada com o Stratego. Depois de ações individuais, eles fundaram uma associação e reclamaram na justiça um prejuízo de R$ 130 milhões, entre perdas materiais e morais, pois como alegaram sem ação esperada pelo produto, a região colheu quase 50% menos do que o estimado, de 4,1 milhões de sacas, apenas 2,6 milhões de sacas. De acordo com produtores, a ação coletiva que teve ingresso na Justiça em 2004, ainda não teve o mérito transitado em julgado.