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ECONOMIA
Sábado, 06 de Dezembro de 2008, 12h:42

TECNOLOGIA

Algodão adensado promete revolução

Em tempos de crise interna e externa, fibra poderá render bons frutos nas lavouras mato-grossenses, ao reduzir em até 40% os custos de produção, sem afetar produtividade

TAUANA SCHMIDT
Da Reportagem/Sinop
Em época de crise financeira internacional e a crise interna do segmento agrícola brasileiro com o endividamento, surge uma alternativa que pode ser a saída para os produtores somarem lucros ao fim da colheita. Principalmente, para quem planta a safrinha de algodão, que em Mato Grosso, assim como a safrinha de milho, está ameaçada pela falta de crédito do produtor. É um novo sistema de plantio que promete a mesma produtividade do modelo convencional de semeadura, mas com redução de até 40% dos custos: é o algodão adensado que chega ao Estado. A técnica vem sendo aplicada há três anos nas terras do Paraguai por um grupo de 60 cotonicultores que, diante das perspectivas de baixa no preço do milho, redução de área cultivada em função dos estoques atuais e os altos custos com insumos, busca alternativas mais rentáveis para a safrinha. O algodão adensado se tornou a saída para os agricultores interessados em ampliar a rentabilidade e a diversificação das culturas. O sistema é simples e consiste em diminuir o espaçamento entre as linhas plantadas, aumentando a população de plantas nas fileiras. Isso causa a redução do ciclo da cultura e, conseqüentemente, os gastos com aplicação de fertilizantes e inseticidas. Como a técnica tem garantido a redução em torno de 30% a 40% com custos e produção de 4 mil kg por hectare aos paraguaios, os brasileiros decidiram testar o sistema no Brasil. Já na próxima safrinha do algodão, o plantio adensado será feito em escala comercial por um grupo de 20 cotonicultores. Anderson Pereira, consultor da Maeda Deltapine Monsanto (MDM) Algodão, produtora de sementes de algodão, explica que a técnica precisa ser adaptada a cada região, considerando as características locais. “O ideal é escolher uma cultivar de ciclo médio precoce, próprio para safrinha, resistente às doenças. Uma planta de porte médio e que não tenha ramos vegetativos”. Para aplicar o sistema, o agricultor modifica a medida da semeadura, diferenciando-a do plantio convencional aplicado atualmente, o qual tem espaçamento de 90 centímetros (cm) entre as fileiras, com produção de 100 mil plantas por hectare e ciclo que varia entre 180 e 210 dias. Ou seja, o sistema adensado tem o espaçamento de 45 cm entre as fileiras, garantindo a produção de 250 mil plantas por hectare e ciclo variável entre 150 e 160 dias. “Isso aumenta em 150% o número de plantas por hectare”. A redução do ciclo produtivo acontece porque cada planta produz cinco maçãs (frutos/pluma), frente às dez maçãs produzidas com o plantio convencional. “Para produzir dez maçãs, a planta precisa de mais tempo. Se ela produz cinco maças, então esse tempo diminui, em média, 50 dias. Reduzindo esse tempo do ciclo, o produtor economiza em mão-de-obra, inseticida, adubo e óleo diesel. Enfim, o algodão estando menos tempo no campo também se torna menor o tempo de cuidados com a cultura e o custo médio por hectare de US$ 2,5 mil reduz em até 40%”. PRODUTIVIDADE - As experiências de três safrinhas realizadas no Paraguai demonstraram que apesar de ter o ciclo reduzido, a qualidade da pluma do algodão adensado é a mesma obtida com o convencional. A produtividade também não se altera. Pereira explica que isso acontece pelo aumento do número de plantas por fileiras. “Cada planta produz 50% menos de maçãs, mas cada hectare tem 150% a mais de plantas. Ou seja, se no plantio convencional as 100 mil plantas produzem um milhão de maçãs por hectare (cada uma com 4,5 gramas sendo o total de 4,5 mil kg/ha), no plantio adensado temos 250 mil plantas que produzem 1,250 milhão maçãs. No fim, o plantio adensado fornece a mesma quantia de algodão por hectare que o convencional, mas com menos custos de produção”.

Edição EDIÇÃO 16967




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