ECONOMIA
Sábado, 12 de Dezembro de 2009, 15h:56
A
A
GÁS NATURAL
Abismo ou estratégia?
Entre a realidade de uma reserva de hidrocarbonetos à exploração do potencial há muito o que se avançar
MARIANNA PERES
Da Editoria
Apesar das afirmações do governo estadual de que Mato Grosso detém as maiores reservas de gás natural do país e também do otimismo -, o potencial ainda não foi reconhecido pela Petrobras, pelo menos de forma oficial. O Estado reconhecido pelo potencial agropecuário almeja mais este título, mesmo porque o gás natural é matéria-prima para produção de fertilizantes e a redução deste custo de produção é mola propulsora de vários representantes ruralistas. Há um ano a estatal brasileira arrematou sozinha todos os seis blocos ofertados na Bacia do Parecis, localizada em Mato Grosso. Em plena crise do gás no Estado, as reservas que podem ser muito similares às bolivianas são um sonho ainda sem data para virar realidade. Quando os lotes foram arrematados, num certame que contou com a participação da mato-grossense Bimetal, em dezembro do ano passado, o governador Blairo Maggi na época esboçou a preocupação de a Petrobras sentar em cima das outorgas e não dar a celeridade de que o Estado necessita nas prospecções das áreas. O superintendente de Energia da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, José do Carmo Ferraz Filho, aponta que a outorga concessão de exploração é regida por regulamentos e prazos que devem ser obedecidos, até mesmo pela Estatal. Ele explica que já no próximo ano a Petrobras tem de iniciar as prospecções, data ainda sem confirmação pela assessoria da Petrobras. A estimativa do Estado é de que sejam investidos na Bacia do Parecis mais de R$ 30 milhões. Junto à confirmação deste potencial Ferraz frisa que investimentos gigantescos serão capitaneados para o Estado e que o governo terá mais argumentos na atração de empresas. O gás é uma matriz barata. Este combustível é estratégico para prover energia de Mato Grosso para estados como Acre, Rondônia e Amazonas, que utilizam energia térmica da queima de óleo diesel. Desde o final da década de 90 a reserva mato-grossense é conhecida no país, e durante a gestão do então presidente da Estatal, Joel Rennó, foi classificada como uma das maiores do Brasil. Estudos da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam a existência de um sistema petrolífero ativo para gás natural e petróleo em rochas com mais de 600 milhões de anos em Mato Grosso. As cidades que devem ser o maior foco da atividade de exploração são Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Paranatinga, Sorriso e Santa Rita do Trivelato. Pela proximidade entre Mato Grosso e Bolívia, e considerando a formação geológica da região, é possível que tenhamos o mesmo bolsão de reservas da Bolívia, aponta Ferraz. Segundo o mercado do gás natural, a Bolívia tem os campos de produção mais atrativos da América Latina. O potencial já relatado em parecer técnico emitido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), como lembra Ferraz, mostra que as reservas de hidrocarbonetos não estão em áreas indígenas, o que favorece e agiliza a possível exploração/perfuração de poços. Isso é mais um ponto em nosso favor. PETROBRAS De acordo com a assessoria da Estatal, as áreas se encontram em fase de planejamento de atividades futuras, ou seja, levantamento de dados sísmicos. Ainda como informa, apenas após essa etapa, seguida de processamentos especiais e interpretações de dados, será possível avaliar se há potencial e se haverá a possibilidade de perfurações de poços. Como aponta Ferraz, a Estatal está numa maratona de investimentos milionários pelo País, como o pré-sal. Mesmo se confirmando o potencial e a viabilidade da exploração do gás e petróleo no Estado, existem, para além disso, variantes que fazem com que a decisão da ação esbarre nas diretrizes de um planejamento estratégico da própria Petrobras.