Colunistas
Sábado, 03 de Abril de 2010, 13h:34
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FEDERAÇÃO ESPÍRITA
O Ensinamento Vivo
Trafegávamos pela via pública quando observamos que uma criança se soltava das mãos de uma pessoa adulta e se dirigia para a rua para encontrar um jovem que estacionava um carro do outro lado da mesma, diminuímos a marcha e colocamos o pé no breque, pois a criança corria, entretanto ela foi pega antes de por o pé na rua. A pessoa que a segurava pela mão deu-lhe uma sacudidela e disse alguma coisa. Ocorreu-nos neste momento a lembrança de uma afirmação de Kardec, em vários de seus escritos, sobre a necessidade que temos de aprender a deduzir as conseqüências em todas as situações de nossa vida. Aquela criança não estava instrumentalizada para isso, não estava pronta para deduzir o risco que corria ao atravessar correndo para a rua sem prestar atenção ao tráfego. Será que a pessoa adulta aproveitou a situação para transmiti-lhe esse conceito, ou apenas a amedrontou? Neio Lúcio (1) conta-nos que certa mãe cuja filha tinha o hábito de ser maledicente certo dia saiu com a menina e foi visitar a construção de um grande edifício, percorreram os vários setores mostrando á filha o labor dos operários e como cada tarefa exigia a dedicação e o esforço de cada um, bem como o trabalho dependia da colaboração recíproca. Depois levou a jovem até um antigo edifício em processo de demolição onde, um homem com uma marreta, dava pancadas nas paredes que vinham estrondosamente ao chão. Assustada a jovem exclamou: Como é terrível arruinar, deste modo, o esforço de tantos! A constatação da jovem permitiu à mãe concluir que o objetivo que havia vindo buscar fora alcançado: a maledicência destrói o que, às vezes, exigiu muito tempo e esforço para ser construído. Neste singelo relato podemos perceber que a visualização do processo de destruição opondo-se ao de construção foi um recurso pedagógico oportuno e muito mais eficiente que as numerosas advertências verbais que a mãe já havia feito à filha. Na busca de evitar sofrimento às crianças acabamos poupando-as de entrarem em contato com aquilo que julgamos possa lhe causar sofrimento e muitas vezes impedimos que cresçam concebendo um mundo real, quando na realidade poderíamos aproveitar essas situações para um rico aprendizado. Nas muitas biografias de Buda encontramos que seu pai o havia criado restrito á área do palácio, afastado da dor, do sofrimento e da velhice, até que um dia ao defrontar-se com um grupo de pessoas pobres e doentes renuncia a sua vida opulenta indo viver entre ermitões, se autoflagelando. Por um período de tempo assim permanece até que escuta um professor ensinando um discípulo a tocar cítara e lhe dizer que a corda do meio (o instrumento tem cinco cordas) é que harmonizará as outras cordas no processo de afinação constata, então, que esse caminho de sofrimento e auto-flagelação também não é o melhor, reconsidera e começa sua pregação ensinando o desapego as coisas materiais, mas sem afastar-se das vicissitudes da vida. Voltando ao início desta reflexão, a menina ao invés de ser chacoalhada merecia uma explicação do porque foi segura, do risco que estava correndo pela sua impaciência de encontrar alguém. Essa compreensão desenvolveria nela o hábito de sempre olhar quando fosse atravessar a rua, calculando a possibilidade de atravessar ou ter que esperar. Lembremos que na 685 de O Livro Dos Espíritos, Kardec coloca: Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. BIBLIOGRAFIA - 1)Neio Lúcio, O ensinamento vivo.In: ALVORADA CRISTÃ, 9 ed. Rio de Janeiro: FEB, p.85-87,1987. Fonte: Verdade e Luz, edição nº 254 Março de 2007 Federação Espírita do Estado de Mato Grosso www.feemt.org.br