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CIDADES
Sábado, 05 de Novembro de 2011, 13h:11

CUIABÁ

Viver no centro não compensa mais

Moradores do centro de Cuiabá escondem-se em casa e têm que conviver com um cotidiano de barulho, tráfego pesado e criminalidade

ANA ADÉLIA DE JÁCOMO
Da Reportagem
O Centro de Cuiabá, com suas janelas e portas abertas e vizinhos sentados na frente das casas, conversando para matar o tempo, já não existe mais. Hoje os moradores antigos, assim como quem veio depois, escondem-se em casa e vivem um cotidiano de barulho, tráfego pesado e criminalidade. Luíza Freitas, de 78 anos, é moradora da antiga Rua do Campo, hoje denominada Rua Barão de Melgaço, desde que nasceu. Ela conta que a residência pertencia à sua avó e foi passando de geração a geração. Luíza relembra que costumava brincar nas ruelas de chão batido. Freqüentava a Feira da Mandioca e sentia-se segura nas ruas próximas à sua casa. Contudo, o tempo passou e a modernidade trouxe ônus e bônus. Luíza conta que já acostumou com a violência e o trânsito caótico. “Hoje em dia se um visitante vem a nossa casa tem que pagar para estacionar na rua. É um barulho o dia inteiro de carros e, de madrugada, os usuários de drogas fazem arruaça. Sempre teve feira na mandioca, agora virou esse bar aí”, desdenha dona Luíza, referindo-se ao sistema de controle de estacionamento adotado pela prefeitura, que cobra R$ 2 por hora para parar o carro em vias públicas da Capital que possuem a faixa verde e sobre o bar instalado na Praça da Mandioca. O comerciante Eurídes da Costa, de 67 anos, conta que há 40 anos é barbeiro na Rua Engenheiro Ricardo Franco e que já se acostumou a conviver com os usuários de droga que tomaram conta da região. “Os donos de muitos imóveis sumiram e abandonaram as casas. Os drogados invadiram e fazem tudo que não presta aí dentro”, reclama o idoso. O fato é que o Centro Histórico de Cuiabá está aos cacos. Muitos casarões se encontram depredados e o tráfico de drogas é intenso. Mesmo à luz do dia, o comércio segue em ritmo frenético. Muitos usuários ocuparam as casas e fizeram delas pontos de consumo de entorpecentes. Eurídes conta que não vê mais vantagens em trabalhar no centro da cidade, já que supermercados, farmácias e comércios em geral têm em todo lugar atualmente. Sobre o fato de ser vizinho de um casarão abandonado, que está ocupado por moradores de rua, ele diz que prefere pensar que são vizinhos mesmo. “Finjo que são meus vizinhos. Cumprimento com bom dia e boa tarde”, declara o comerciante. A situação ao lado do salão de Eurídes é chocante. Homens e mulheres se escondem em meios aos destroços de um casarão em ruínas. Tomam banho numa torneira que fica no corredor principal da casa e o entra e sai dura o dia todo. A sujeira, a depredação e o mau cheiro causam consternação a quem passa pela frente.

Edição EDIÇÃO 16967




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