CIDADES
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015, 20h:43
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BAIRRO PEDREGAL
Três mortes na semana
Pistoleiros continuam a dar as cartas em bairro de Cuiabá, onde mais uma pessoa foi executada a tiros
YURI RAMIRES
Da Reportagem
O limpador de piscinas Jeferson Melo de Jesus, 31 anos, foi assassinado com 10 disparos de arma de fogo na noite de quinta-feira (25), na rua Manaíra, no bairro Pedregal, em Cuiabá. Essa é a terceira morte na mesma rua em menos de uma semana. Apesar do clima de insegurança entre os moradores, o secretário de Estado de Segurança Pública, Mauro Zaque, reforçou que não há nada de anormal no bairro. Conforme as informações do Boletim de Ocorrência, o homem estava em frente a uma distribuidora de bebidas, que fica nos fundos da Escola Municipal Dr. Orlando Nigro, quando quatro pessoas que estavam dentro de um carro branco começaram a disparar os tiros. Jeferson, conhecido como Gordo, chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu minutos depois no Pronto-Socorro de Cuiabá. A morte aconteceu cerca de 300 metros do local onde os supostos traficantes Maninho e Binha foram mortos no último domingo (22). Na checagem de rotina da polícia, não foi encontrado nenhum histórico criminal envolvendo Jeferson. Porém, alguns moradores disseram que ele seria primo de um homem que, supostamente, pertenceria ao mesmo grupo de Maninho e Binha. A reportagem esteve no bairro na tarde de ontem e, mais uma vez, encontrou dificuldade para falar com os moradores sobre os crimes. Muitos ainda estão inseguros e temem que novas execuções voltem a acontecer. Na segunda-feira (23), mensagens falando sobre um suposto tiroteio como forma de vingança ou protesto pelas mortes de Maninho e Binha começaram a circular nas redes sociais, fortalecendo a sensação de insegurança. No mesmo dia, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) informou que o setor de Inteligência estava monitorando a situação e que o policialmente estava reforçado na região. Na quarta-feira (25), o secretário-adjunto de Segurança, Fábio Galindo, reforçou a tese e afirmou que o suposto toque de recolher seria uma fofoca de mau gosto. De fato, há um reforço policial no bairro. Policiais civis e militares foram vistos em diferentes pontos, inclusive uma viatura da Guarda Municipal, com dois agentes, faziam a segurança dos alunos da Escola Dr. Orlando Nigro. A distribuidora, que fica em uma esquina, não funcionou ontem. Os comerciantes no entorno disseram à reportagem que não viram nada, já que na hora do crime muitos já haviam encerrado o expediente. Fiquei sabendo quando cheguei hoje cedo, que o pessoal estava comentando. A gente fica com receio, essa semana está terrível, não sabemos o que esperar cada vez que chegamos para trabalhar, disse a vendedora de um mercado do bairro, que preferiu não se identificar. Ontem, o secretário Mauro Zaque disse que não há nada de anormal do bairro e ainda afirmou que o Pedregal é um dos bairros mais tranquilos de Cuiabá, apontando que, de janeiro a outubro, apenas duas mortes foram registradas lá. Sobre a morte de Manino e Binha, a Sesp informou em nota que uma força-tarefa criada na Polícia Civil já apresenta uma investigação em estágio avançado, mas que não foi confirmada, até o momento, qualquer motivação dos crimes por uma possível guerra entre facções criminosas. Ontem, uma reunião entre a Sesp e o Comando Geral da Polícia Militar debateu formas de saturar o local. Para Zaque, a polícia será capaz de restabelecer a ordem no bairro e resgatar a confiança do cidadão.