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CIDADES
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010, 20h:42

GOIABEIRAS

Três contra um no 2º dia

Apenas Jefferson, ex-chefe da segurança, mantém versão de queda de Reginaldo na escada. Outros acusados asseguram as agressões

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
O segundo dia de julgamento do caso Goiabeiras revelou uma oposição entre as versões dos quatro réus - ex-seguranças do shopping acusados de matar Reginaldo Donnan Queiroz, 31 - que deve pautar os debates de hoje no tribunal do júri. Nos interrogatórios, o ex-chefe de segurança Jefferson Medeiros foi apontado pelos demais réus como principal agressor de Reginaldo e responsável por plantar a versão do episódio segundo a qual a própria vítima teria lhe agredido e morrido depois por conta de uma queda na escada do centro comercial. Medeiros negou tudo. O primeiro interrogatório, de Ednaldo Belo, em duas horas, já abriu os trabalhos do dia complicando a situação de Medeiros. Belo detalhou a violência empregada por Jefferson contra Reginaldo na sala de segurança do Goiabeiras, para onde o comerciante foi levado após ser abordado e onde foi espancado, segundo o Ministério Público (MP). Falou que Jefferson chutou a cabeça de Reginaldo por três vezes de modo que ela rebatia na parede da sala. O próprio Belo admitiu também ter batido: dera chutes nas pernas do vendedor ambulante para forçá-lo a se sentar, mas negou que Reginaldo tivesse ameaçado e sido agressivo com os seguranças antes – como sustentou Jefferson desde o início. Aliás, Belo disse estar arrependido de, a princípio, ter ajudado a defender tal versão, na verdade uma armação de Jefferson sustentada pela direção do shopping, disse. Já os demais réus, Belo defendeu. Disse que Jorge Nery apenas obedeceu ordens de Jefferson e que Valdenor de Moraes inclusive clamou cinco vezes para que cessassem as agressões contra Reginaldo na sala de segurança. Segundo interrogado, Jefferson teve como estratégia, por meio de seu advogado de defesa, pleitear para que fosse o último interrogado. Manobra sem sucesso, Jefferson começou a responder ao interrogatório, momento no qual sustentou a versão de que os ferimentos de Reginaldo foram provocados pela queda da escada do shopping e de que não ficou sozinho com ele em nenhum momento. Jefferson disse que Belo sim ficou sozinho com Reginaldo, por muito tempo, e que o próprio dissera que a vítima o ameaçara com um estilete. Em tom arrogante, Jefferson respondeu ao interrogatório de modo repetitivo, chegou a chorar gerando reações céticas dos presentes e disse não entender porque estava sendo acusado. Defendeu sua conduta afirmando ter qualificação por meio de cursos na área de segurança e atacou a imprensa, dizendo que foram inventados factóides sobre sua pessoa, num interrogatório de três horas. Outro a relatar os chutes na cabeça de Reginaldo foi o terceiro interrogado, Valdenor, para quem Jefferson estava “fora de si” naquele momento. Admitiu ter mentido em depoimentos sobre o caso, seguindo a mesma versão alegada por Jefferson, a fim de se preservar, mas disse que, diante da juíza Mônica Perri, estava falando a verdade. Último a ser ouvido ontem, Jorge relatou o episódio quase como um observador, pois alegou não ter presenciado o espancamento de Reginaldo na sala de segurança. No final de seu interrogatório, Jorge afirmou que a defesa de Jefferson havia orientado os demais réus a manterem a versão “do estilete”, o que ele admitiu ter obedecido.

Edição EDIÇÃO 16963




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