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CIDADES
Terça-feira, 15 de Julho de 2008, 20h:34

PRISÃO

Sob o manto da fé

Empresário de Tangará da Serra é acusado de usar excursões religiosas para abusar sexualmente de adolescentes; três o denunciaram no Juizado

DANA CAMPOS
Da Reportagem
A Delegacia Especializada do Direito da Criança e Adolescente (Dedica) prendeu ontem, em Tangará da Serra, o empresário João Alves Barbosa. Ele está sendo investigado pela polícia sob acusação de atentando violento ao pudor e corrupção de menores. Conforme o delegado da Dedica Marcio Cambaúba, o empresário agia em excursões religiosas, por meio do projeto turístico “Jesus na Escola”. Segundo Cambaúba, os passeios eram realizados no Brasil e em outros países como Argentina, Paraguai e Chile. Conforme o delegado, o projeto existe há 18 anos. “De lá pra cá, ele viajou com diversas adolescentes. Não sabemos ainda ao certo de quantas ele pode ter abusado”, disse. Até o momento, apenas as famílias de três adolescentes apontam os crimes. A denúncia de que Barbosa estaria usando o projeto para aliciar menores partiu do promotor de justiça José Antonio Borges. Foi ele quem recebeu as famílias das três adolescentes, com idade entre 14 e 17 anos, todas de Cuiabá. A denúncia, disse Borges, foi protocolada junto ao Ministério Público há 90 dias. Desde então o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO), juntamente com a Dedica, vinha investigando o caso. A reportagem teve acesso aos depoimentos das vítimas contidos no processo. Conforme uma delas, durante as viagens, Barbosa reservava duas poltronas no fundo do ônibus e chamava as adolescentes para sentar ao seu lado. Lá ele acariciava as partes íntimas das meninas, dizendo sempre que “não era para elas deixarem rapazes fazerem o mesmo”. Em outro depoimento, a vítima relata que Barbosa dizia que sentia um amor de pai por elas. E que tudo que fazia era para protegê-las. Conforme o promotor, o acusado usava da “boa fé das famílias para abusar das adolescentes”. Borges informou as meninas violentadas eram ameaçadas, caso houvesse algum tipo de denúncia. Para o delegado Cambaúba, “o que mais choca é o fato dele usar da fé, da evangelização, para agir libidinosamente”. O delegado informou que as adolescentes foram submetidas ao exame psicológico. E que o resultado do laudo deverá sair num prazo de 20 dias. Além dos exames, informou Cambaúba, foram apreendidos na casa de Barbosa CDs, disquetes e um computador que serão periciados, e onde possivelmente “poderão ser encontradas provas sobre o crime”, segundo o delegado. Conforme o advogado Marcelo Coelho, Barbosa já morou em Cuiabá, mas há algum tempo mantinha residência fixa em Tangará da Serra. O defensor disse que, logo após a prisão, esteve no Juizado da Infância e Adolescência e na Dedica, mas não conseguiu ter acesso ao processo ou a qualquer documento que justificasse a prisão. Conforme Coelho, “não tem como tomar nenhuma medida judicial diante de um fato que não se tem conhecimento”. Porém, o advogado afirmou que seu cliente é inocente. E que uma das famílias que o denuncia mantinha relações financeiras com Barbosa.

Edição EDIÇÃO 16967




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