CIDADES
Sábado, 21 de Agosto de 2010, 11h:45
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Situação impacta recria de peixes
A pior consequência do secamento da Baía de Chacororé é um impacto negativo na biodiversidade da região pantaneira de Barão de Melgaço. Interligada à baía de Siá Mariana e ao rio Cuiabá, Chacororé funciona como uma área de cria e recria de peixes, mas a seca gerada pela ação do homem interrompe esse ciclo. Não há reposição da fauna ictiológica, enfatiza o professor Rubem Mauro Palma de Moura. Com a diminuição da área alagada e a perda da conexão desta água com o rio, os peixes já crescidos se concentram numa área mínima, tornando-se pesca fácil para os pescadores profissionais com suas redes. Para Moura, a atuação desses pescadores num momento tão delicado é um crime ambiental, pois eles estão impedindo que os peixes se renovem. O pior, destaca, é que esses pescadores recebem do governo para não pescarem no período de defeso. E isso porque os últimos dados de Furnas, de 2000 a 2004, já apontam drástica redução no número de espécies capturadas por campanha na baía de Chacororé, de aproximadamente 130 para cerca de 60. E houve redução no peso total amostrado por campanha, de 160 quilos para pouco mais de 80 quilos. Onde não tem água, a vegetação cresce. Onde ainda tem, sobra matéria em decomposição, mas falta oxigenação e peixes. E a falta deles também tem sinais na economia de Barão de Melgaço. Dono de bar, seo Pedro Duarte da Silva, 76 anos, conta que muita peixaria da cidade está com dificuldade de encontrar peixe fresco, resultado da seca e da pesca predatória sem fiscalização. O negócio não tá bonito, não. Não tô desejando, mas, com o tempo, vai secar, prevê, mencionando que os pescadores da região só têm pego peixes pequenos. Como reflexo desse impacto econômico, Pedro conta que a cidade tem vivido uma verdadeira paradeira nos últimos tempos, pois os turistas e pescadores acabam indo direto aos pesqueiros sem parar na cidade, trajetos agora favorecido pelas estradas asfaltadas. (RD)