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CIDADES
Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010, 21h:19

MÁFIA DA SECA

Servidores da Sanecap registram agressões

Funcionários da Companhia relataram ao sindicato que até arma de fogo já foi empunhada contra alguns deles por consumidores. Orientação é fazer BO

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Após os rumores de que funcionários da Sanecap estariam envolvidos no esquema conhecido como “máfia da seca”, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de Cuiabá (Sintaesa) já recebeu cerca de 15 queixas sobre casos em que funcionários foram humilhados, ameaçados ou até agredidos fisicamente. Segundo o presidente do Sindicato, Ideueno Fernandes Souza, houve ameaça até com arma de fogo e os trabalhadores foram orientados a registrar boletim de ocorrência. O sindicalista não sabe se todas as queixas foram registradas, mas afirmou que a investigação sobre o suposto esquema criminoso dentro da Sanecap acabou por fazer parte da população voltar-se contra os funcionários da empresa. Segundo as denúncias que motivaram a investigação do caso na Câmara Municipal, os servidores estariam cortando o fornecimento de água para algumas residências mediante propina das empresas de caminhões-pipa, estas, a fim de faturar em cima do serviço precário. A comissão na Câmara teria até o dia 17 para apurar a situação, mas alguns dos depoentes requeridos não compareceram, segundo o vereador Antônio Fernandes. Entre eles, representantes das empresas de caminhões-pipa e alguns servidores da Sanecap. Por isso, a intenção dos vereadores em investigação é instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A diferença é que a CPI teria poder para intimar os depoentes, não apenas convidá-los. A CPI pode ser aberta na seção de terça-feira na Câmara. Já o Sintaesa esclareceu que os funcionários não se recusaram a prestar depoimentos, só não chegaram a falar porque a comissão pretende obedecer a sequência de depoimentos ouvindo primeiro as empresas de caminhão-pipa. Por isso o sindicato não tem motivos para rejeitar a ideia da CPI. “Vamos mostrar onde está a falta de água em Cuiabá. Não é por conta dos funcionários, é a política dentro da empresa. Eles não cumpriram nem 10% do que prometeram”. Por falar na relação com a Sanecap, ontem cerca de 120 funcionários realizaram uma pequena manifestação em frente à sede da empresa no Carumbé por melhores condições salariais. Eles estão insatisfeitos com a proposta de reajuste dos salários em 40% a ser praticada somente em meados do ano que vem. Segundo Ideueno, os salários não são suficientes para segurar na empresa nem os concursados. Já o atual presidente da Sanecap, Antônio Carlos Ventura Ribeiro, afirmou que se trata de uma negociação ainda em estágio inicial e que não haveria como conceder o reajuste salarial antes do prazo determinado. “Comprometeria o fluxo de caixa”, defendeu.

Edição EDIÇÃO 16967




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