CIDADES
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009, 20h:04
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Revolta e tristeza no Paiaguás
ALECY ALVES
Da Reportagem
Uma mistura de tristeza, revolta e indignação se abateu sobre os moradores do Residencial Paiaguás com a confirmação da morte do estudante Kaytto Guilherme Nascimento Pinto. Era nesse bairro, de pouco mais de 1,5 mil habitantes, que o garoto vivia com o pai e a irmã desde que nasceu. Kaytto, atraído pelo pedófilo Edson Alves Delfino, de 29 anos, sofreu violência sexual, foi enforcado e teve seu corpo abandonado no mato. Delfino já havia sido condenado a 46 aos de prisão por crime similar contra uma criança de 8 anos e o estupro de outro, ambos no interior do Estado. Se a frieza e crueldade demonstradas durante depoimento na polícia e entrevista à imprensa marcam a vida do assassino, na curta passagem pela terra Kaytto será lembrado por sentimentos avessos, do tipo que enobrecem o ser humano e orgulha a família como educação, amor, respeito, honestidade e inteligência. A comerciária Telma Joaquina da Rocha, 30 anos, funcionária da panificadora do bairro onde Kaytto, a irmã Luara e o pai Jorgemar Luis Silva Pinto tomavam café da manhã diariamente, parece não acreditar no que aconteceu. Grávida de seis meses do primeiro filho, Telma descreve Kaytto como menino adorável, educado e alegre. O patrão de Telma, que resiste em não comentar o crime, ficou tão abalado que nem tem se alimentado direito. Meu patrão está sem comer desde sábado, contou Telma. Procurado pela reportagem, o comerciante se limitou a dizer: quem somos nós para questionar a decisão da Justiça, que libera um criminoso desse?. Ele se referiu ao fato de Delfino ter passado apenas nove anos preso pelos dois crimes anteriores, menos de um terço da pena. Odinete Rodroso de Barros, ou Chinha, é dona de uma oficina de costura que fica na mesma rua onde morava Kaytto, a menos de 300 metros do prédio. Ela conhecia bem o estudante por causa dos consertos nos uniformes da escola, shorts e outras roupas dele. Era o próprio Kaytto, segundo dona Chinha, quem levava, apanhava e pagava as reformas. Uma vez ele pediu que eu costurasse fiado um short do colégio. Disse que o pai passaria depois pra pagar, como realmente fez, lembra. Ele era um menino educado e muito inteligente. No entendimento da costureira, o assassino do estudante é do tipo de pessoa que jamais poderia conviver em sociedade. Se já havia cometido dois crimes assim, não poderia voltar às ruas, opina. Nas rodas de conversa, a morte de Kaytto e o risco que muitas crianças correram com a presença de Edson Delfino no local dominaram as conversas nos últimos dias.