CIDADES
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007, 18h:54
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IMPASSE INDÍGENA
Reunião de hoje pode pôr fim a motim
Pode chegar ao fim hoje o impasse que se estende há seis dias entre os índios da etnia enawene nawe, que bloquearam a saída das obras de cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), em Campos de Júlio, e mantém 350 trabalhadores isolados no local. Uma estrada vicinal da região, que também estava interditada pelos manifestantes armados com arcos e flechas, já foi liberada. Representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Brasília e de órgãos estaduais seguem hoje para Sapezal, com os responsáveis pelos empreendimentos, para uma reunião com as lideranças indígenas. As obras pertencem à empresa Juruena Participações e Investimentos, que pôde enviar alimentos aos funcionários com a autorização dos índios. Os enawene nawe reivindicam um repasse maior de recursos como indenização para possíveis reparos de danos ambientais causados pela construção das PCHs. A empresa Juruena Participações e Investimentos pagaria R$ 4,3 milhões para serem divididos de maneira igualitária entre 11 etnias que dependem do rio Juruena e serão atingidas pelas barragens. O dinheiro seria investido em projetos ambientais. Contudo, como a aldeia dos enawene nawe é a mais próxima das PCHs, localizada a cerca de 30 quilômetros, os índios querem a revisão do repasse, pois acreditam ter direito a uma quantia maior que os demais afetados. Outra insatisfação do grupo de manifestantes diz respeito à intermediação da Funai. Segundo o administrador executivo regional da Funai, Carlos Márcio Vieira Barros, os indígenas querem que o dinheiro seja entregue diretamente a eles. A legislação determina que os recursos oriundos de patrimônio indígena deve ir para uma conta da União e depois repassado aos índios em projetos. Mas hoje vamos discutir essa questão, pois repassar aos indígenas diretamente pode ser uma alternativa possível, disse Barros. A empresa Juruena afirmou que o dinheiro seria entregue em dezembro, mas, devido ao impasse, deverá haver um atraso. Está tudo atrasado com isso. Até mesmo as obras estão praticamente paradas há uma semana, disse o responsável pela Juruena, Frederico Müller. A construção das PCHs foi autorizada no ano de 2004. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), dois anos depois foi realizado um estudo complementar denominado Avaliação Ambiental Integrada, que analisou o impacto conjunto de todas as obras e o considerou baixo. Haverá uma pequena mudança na qualidade da água. O número de corredeiras diminuirá e aumentará a quantidade de lagos. A base alimentar dos índios, que é peixes, não será afetada, afirmou o superintendente de Infra-estrutura, Mineração, Indústria e Resíduos Sólidos da Sema, Salatiel Alves de Araújo. Outras etnias indígenas também participarão da reunião hoje em Sapezal, de acordo com o superintendente de Assuntos Indígenas da Casa Civil, Rômulo Vandoni. Segundo ele, o clima na região é hostil, mas os trabalhadores isolados não sofreram nenhum tipo de agressão.