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CIDADES
Sábado, 25 de Agosto de 2012, 13h:09

Retirada das próteses deixaram marcas

A trajetória de Joide Miranda na vida de travesti começou muito cedo. Em Cuiabá, ele teve suas primeiras experiências se prostituindo, mas logo em seguida, em busca de mais dinheiro, foi para o Rio de Janeiro, onde ficou por oito meses. Depois, ainda procurando maior remuneração, Joide foi para a capital paulista. Lá, ele conta que morou na casa de uma cafetina com outros 40 travestis. “Naquela época não era como hoje, que a polícia não corre atrás. Nós sofríamos muita perseguição”. Seguindo o conselho de amigos, Joide já tomou hormônios femininos por mais de cinco anos. Mas seus colegas de profissão diziam que pra ele ganhar mais dinheiro, ele devia colocar próteses. Com isso em mente, foram inseridos 4,5 litros de silicone industrializado em seu quadril. Após as alterações, Joide começa suas viagens pela Europa. Primeiro ele foi para a França. Como não conseguiu se adaptar na capital francesa, Paris, voltou para o Brasil. Porém, logo em seguida embarcou rumo ao continente europeu novamente. Passou pela Espanha e pela Itália. “E foi em Roma que eu comecei a ganhar muito dinheiro. Mas muito dinheiro mesmo”. Depois ainda morou em Atenas e Barcelona, local onde implantou nos seios 380 ml de silicone. Por último, voltou para a Itália, residindo em Milão. “Nessa época eu já tinha adquirido fama, dinheiro, poder. Eu vivia no glamour e era um dos três travestis mais belos do Brasil”, diz. No processo de “recuperação”, Joide teve que tirar suas duas próteses e tem marcas dos 178 pontos da cirurgia feita no quadril devido à remoção do silicone. “Eu tive que reaprender tudo, não é fácil reencontrar sua identidade”, conta. Joide diz que a ajuda psicológica foi fundamental em seu processo de recuperação, e que é um absurdo que uma resolução do Conselho Regional de Psicologia proíba seus profissionais a oferecer tratamento às pessoas que querem deixar de ser homossexuais. “As pessoas nos ligam o dia inteiro pedindo ajuda, a demanda é muito grande”, conta a esposa de Joide, Édna. (SM)

Edição EDIÇÃO 16966




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