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CIDADES
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012, 21h:44

QUEIMADOS VIVOS

Restos mortais chegam hoje a Cuiabá

Técnicos do IML foram duas vezes a San Matías. Na primeira, estavam sem reforço policial e não conseguiram retirar os corpos

ALECY ALVES
Da Reportagem
Até o final da manhã de hoje devem chegar ao IML de Cuiabá, os corpos de Rafael Marques Dias Moraes, 27 anos, e Jefferson Castro de Lima, 22 anos, conhecido como “Maninho”. Eles foram queimados vivos em San Matías, cidade boliviana a 280 quilômetros de Cuiabá, na fronteira com Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá). Desde as 19h de ontem, os restos mortais das vítimas estão no IML de Cáceres em urnas independentes e lacradas, que só devem ser abertas no Instituto de Identificação de Cuiabá. Aqui devem ser realizados exames de arcada dentária e, se necessário, até de DNA para a identificação formal. Ontem, dois técnicos do IML de Cáceres, com a cobertura de policiais militares do Grupo Especializado de Fronteira (Gefron), foram à Bolívia buscá-los. A missão de resgate dos corpos aconteceu somente depois de sete horas de negociação com as autoridades bolivianas e da autorização expedida pelo Ministério Público Boliviano às autoridades brasileiras. No dia anterior, missão semelhante foi frustrada porque não havia cobertura policial articulada e tampouco acordo formalizado entre as autoridades brasileiras e bolivianas. Acusados de matar três bolivianos e ferir outros dois (a tiros), Rafael e Jefferson foram presos pela polícia da Bolívia e poucas horas depois arrancados da unidade policiais por uma multidão enfurecida. De acordo com a imprensa boliviana, cerca de 300 pessoas levaram os brasileiros, algemados, para uma área próxima, a menos de 150 metros da polícia, e os queimaram vivos. Os corpos foram enterrados dentro de sacos plásticos. Sobre as sepulturas, além de flores os bolivianos deixaram copos com restos de um líquido semelhante à cerveja. Rafael e Jefferson, que moravam na periferia de Várzea Grande, no Jardim Eldorado, teriam indo para a Bolívia levando duas motos roubadas, supostamente em Tangará da Serra, para vender. Depois de fechar negócio, foram comemorar bebendo em um bar com os bolivianos, com os quais se desentenderam. As informações são de que dois policiais federais estão em San Matías apurando circunstâncias das mortes dos brasileiros e os crimes cometidos por eles no país vizinho, para subsidiar a autoridades brasileiras. Uma vida marcada por muitos crimes desde a adolescência. Assim é a história de Rafael Marques Dias de Moraes, conforme registros de antecedentes criminais na Justiça de Mato Grosso e relatos de pessoas com as quais ele convivia. Usuário de drogas, Rafael cometeu o primeiro homicídio na adolescência, quando tinha 14 anos. Matou a tiros um colega de escola por causa da discussão sobre uma bola durante uma partida futebol. Mais recentemente, respondia por dois homicídios (artigo 121), furtos (art. 155) e participação em furto (art.29). Crimes que juntos somaram 28 anos e seis meses de prisão. Estava em liberdade condicional desde janeiro deste ano. Ele também respondia por crimes de porte ilegal de arma, receptação, entre outros, pelos quais ainda não havia sido julgado.

Edição EDIÇÃO 16963




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