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CIDADES
Sábado, 17 de Julho de 2010, 13h:23

CRIANÇAS

Resolução muda educação especial

CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
Crianças portadoras de algum tipo de deficiência requerem cuidados especiais, tempo, paciência e muita dedicação. E têm o direito, assim como todas as outras crianças, a receber educação. Mas os pais e educadores dessas crianças estão preocupados. Uma resolução tem provocado dúvidas e insegurança sobre o ensino oferecido a elas. A Resolução 261, do Conselho Estadual de Educação, fixa normas para a educação especial na educação básica do Sistema Estadual de Ensino. Em outras palavras, estabelece que a educação especial será oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para alunos com necessidades educacionais especiais, nas etapas e modalidades da Educação Básica. De acordo com a resolução, serão oferecidos nas redes pública e privada, serviços de apoio pedagógico especializado e serviços especializados – desenvolvidos em classes comuns e salas de recursos - destinados aos alunos com necessidades educacionais especiais. Os serviços especializados poderão ser desenvolvidos em classes especiais, escolas especializadas e Centros de Educação Especial. Mas, para os pais e educadores de crianças portadoras de necessidades especiais, isso representa que as escolas para educação especiais serão fechadas e que as crianças portadoras de necessidade especiais terão que frequentar as regulares junto com outros alunos. Para a professora Maria Lúcia da Silva, de 47 anos, o problema é que as escolas regulares não estão preparadas para receber crianças que precisam de cuidados especiais. “Falta muita coisa, como espaço físico e preparo por parte dos professores”, disse. A professora, que tem especialização em Educação Especial, frisa que as crianças com deficiência precisam de muito mais atenção e cuidado. “Fico imaginando como que, em uma sala com 30 crianças, um professor conseguirá dar atenção suficiente para um aluno com algum tipo de deficiência”, exemplifica. Segundo a resolução, as classes especiais poderão ser criadas em escolas regulares para o atendimento aos alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem ou condições de comunicação e sinalização diferenciada dos outros alunos. A medida determina que o aluno que freqüentar a classe especial deverá ser avaliado periodicamente pela equipe pedagógica, visando o encaminhamento para a classe comum, e que os alunos com necessidades especiais devem participar das atividades conjuntas com os demais. Esse é um dos problemas para a auxiliar administrativa Clévia Ramos, de 26 anos, mãe de um menino de 5 anos que tem paralisia cerebral. “Como que meu filho terá condições de desenvolver atividades com outros alunos? Não existe essa possibilidade”, afirmou. Ela disse que, caso a resolução entre em vigor, vai deixar o filho em casa. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o Conselho Estadual de Educação.

Edição EDIÇÃO 16963




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