CIDADES
Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2010, 20h:28
A
A
TREINAMENTO
Problema com granada
Agente prisional que teve a mão decepada acredita que acidente ocorreu em virtude de defeito no artefato bélico
DHIEGO MAIA
Da Reportagem
O agente penitenciário, Adão Ramos da Silva, de 50 anos, que teve a mão direita decepada após explosão de uma granada durante treinamento militar na manhã de anteontem, na sede do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) da Polícia Militar, acredita que o acidente ocorreu devido a algum defeito contido na granada. Internado na Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá, o agente, que trabalha na Cadeia Pública de Mirassol DOeste, confirmou a situação à reportagem. Eu percebi que depois que eu tirei o pino (de segurança) o cabeçote da granada estufou antes de arremessar, revela. Ainda segundo Adão, o mesmo problema ocorreu com outros colegas do treinamento. Em outras aulas práticas, três granadas arremessadas não explodiram. Mesmo sem o pino, uma granada em condições normais de uso pode ser segurada por horas sem nenhum risco de detonação, graças ao grampo de segurança. Na linha de tiro, além de Adão, outros 14 agentes estavam posicionados para realizar uma série de arremessos de granada. O objetivo da aula prática era lançar o artefato a uma distância de 20 metros. Posicionado na terceira faixa, da esquerda para a direita, o agente chegou a erguer a mão esquerda sinalizando ao instrutor que algo estava errado com a granada. Não houve tempo e o artefato explodiu na mão do agente. A minha mão ficou toda esbagaçada, recorda a vítima, que presenciou os atendimentos realizados pelos médicos militares no local do acidente. Em uma ambulância, Adão foi encaminhado para o Hospital e Pronto-Socorro de Cuiabá, onde passou por cirurgia. Em seguida, ele foi levado para a Santa Casa e não corre risco de morrer. O estado de saúde é estável. Quando foi acionado, o único instrutor da turma, tenente-coronel do Batalhão de Operações Especiais identificado como Gomes Nunes caminhava em direção a Adão para verificar o defeito, mas o artefato explodiu antes. Segundo Adão, o instrutor estava a seis metros de distância. Na tarde de ontem, o delegado da Polícia Civil designado para realizar o inquérito do caso, Rogério Sanches, e mais um investigador de polícia estiveram presentes na Santa Casa e ouviram de forma informal o relato de Adão sobre o acidente. O delegado se mostrou surpreso ao saber que havia apenas um instrutor para uma turma de 62 alunos. Na tarde de hoje, Sanches vai estar novamente na unidade para colher o depoimento formal de Adão. Ele ainda vai ouvir os colegas da turma, o instrutor e deve ir ao local dos treinamentos. Depois de receber alta, Adão será submetido a exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal. Paralelamente ao inquérito civil, uma investigação militar também está sendo realizada. As aulas práticas do curso de Operações Penitenciárias Especializadas (Cope) estão suspensas. O superintendente de Gestão Penitenciaria, José Antônio Gomes, disse que se a falha da granada for comprovada, a fabricante do artefato será acionada na Justiça. Ele disse que vai aguardar investigações. REINCIDÊNCIA - Outro caso emblemático envolvendo treinamento promovido pela Sejusp e com homens da Polícia Militar foi a morte do sargento alagoano Abinoão Soares de Oliveira, 34, em abril. Ele foi submergido à força por instrutores e não resistiu durante uma etapa aquática do treinamento, em uma lagoa a caminho de Manso. O caso é investigado até hoje e ainda não virou processo judicial.