Rosana tem 36 anos de idade, foi está presa há quatro anos e nove meses por tráfico de entorpecentes em Rondonópolis, onde cumpriu parte da pena, antes de ser transferida para o Presídio Feminino Ana Maria do Couto May. Durante todo o período ela não recebeu uma visita sequer. Eu vejo todo mundo recebendo (visita) e até dá um aperto, mas, não me incômodo não. A família mora longe e a condição (financeira) não ajuda. Como eu sou reincidente, acho que é uma espécie de lição que eles estão me dando. E eu espero finalmente ter aprendido. Há sete meses ela está com a cadeia vencida e não sabe dizer quando exatamente vai sair. Era pra eu ter saído já, mas o defensor público só me dá caô. E eu não tenho grana pra arranjar advogado, então o que me resta? Antes de entrar para o tráfico, Rosana era carateca e chegou a ser campeã mato-grossense. Aos vintes anos, ela sofreu um estupro que resultou numa gravidez. Ela conta que optou por não abortar, porém o fato fez com que ela ficasse tão deprimida que acabou entrando no mundo das drogas. É por isso que eu odeio homem, mas odeio ainda mais mãe que mata filho. Nem sendo violentada eu matei a minha. Hoje ela tem 17 anos e é a única coisa que me resta. (GN)