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CIDADES
Sábado, 05 de Março de 2011, 12h:15

MÃE BONIFÁCIA

Prática sexual na mata

Maior área de preservação do Cerrado na cidade é escolhida por gama crescente de casais para fazer sexo

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
As margens das trilhas sinuosas do Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá, escondem mais que vegetação típica do cerrado. Um simples passo para dentro da mata já dá a possibilidade de encontrar uma grande quantidade de preservativos, gel lubrificantes, calcinhas e outros objetos que indicam que o parque tem sido utilizado não apenas para caminhar e esportes, mas também para a prática de sexo. O problema é recorrente nas trilhas mais remotas, mas qualquer área do parque está suscetível a abrigar casais heterossexuais e homossexuais que decidiram se relacionar sexualmente em meio à vegetação. Os praticantes criaram um circuito secundário de trilhas dentro da mata fechada. A quantidade de preservativos espalhados pelo chão funciona como um termômetro que mede a preferência por cada uma delas. A administração do parque reconhece o problema e o classifica como preocupante. A reportagem acompanhou o administrador do parque, Celso Benedito Pinheiro Ferreira, em uma das trilhas para encontros de casais. “É uma vergonha ver isso, por ser um contraste com a natureza. Essas camisinhas estão destruindo a natureza colocando em risco a vida dos animais e poluindo o meio ambiente”, indigna-se. Para Ferreira, por não ser fechado por muro, o parque se tornou alvo fácil de pessoas que usam indevidamente a área. Conforme ele, quando o volume de pessoas reduz consideravelmente, a partir das 18h, é que os casais começam a circular pelas trilhas. Uma pesquisa sigilosa realizada pelo Centro de Referência em Direitos Humanos para a comunidade LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes) mostra que o público que faz sexo no parque durante o dia é composto de jovens que faltam a escola para marcar encontros casuais. Já no final da tarde, o público é adulto. Até moradores de rua acessam o parque no final da tarde para praticar atos libidinosos. Para coibir a prática, uma campanha a ser realizada em abril pretende sensibilizar a população sobre os riscos do uso inadequado das áreas verdes. “A campanha será preventiva, educativa e não apenas voltada para o público LGBT. O nosso objetivo maior será divulgar os prejuízos pela má prática no meio ambiente”, salienta a coordenadora do Centro de Referência em Direitos Humanos, Claudia Cristina Carvalho. O presidente da ONG Livre-Mente, Clóvis Arantes, aponta outros riscos. “Nem sempre todo mundo usa preservativo num lugar onde o sexo tem que ser rápido, não é permitido e ainda sujeito a ser visto por outras pessoas. A prevenção de DST/Aids nesses locais fica prejudicada”, expõe. Carvalho explica ainda que, no primeiro momento, a campanha será educativa, mas, depois vai ser ostensiva. “Vamos deixar claro para a sociedade que esses encontros configuram crime ambiental e também são um atentado violento ao pudor podendo levar até a detenções”, explica. O slogan da campanha será “Estamos de Olho”. SEGURANÇA – O parque mantém segurança privada, que funciona apenas como guarda patrimonial. A Polícia Militar se faz presente no parque apenas das 6h às 9h e no final da tarde. Rondas são feitas dentro das trilhas pela madrugada para coibir a prática de atos libidinosos. Para o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, major Edivaldo Souza Oliveira, o policiamento tem surtido efeito positivo. “Dá para coibir porque quando a gente passa pelas trilhas nesse horário eles se sentem incomodados”, aponta. Quem flagrar um casal em atitudes suspeitas deve acionar a polícia pelo 190. Não é recomendado partir para enfrentamentos.

Edição EDIÇÃO 16962




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