O que diferencia uma gangue dos demais tipos de bandos criminosos? De acordo com o que a Inteligência da PM acompanha sobre esses grupos, a pouca idade dos membros é característica essencial: é o que define a linha de atuação das gangues, que não têm a prática criminosa como fim, mas como meio para darem vazão aos anseios de uma juventude envolvida com tráfico e consumo de drogas e que exalta a transgressão. O pano de fundo na formação desses grupos de jovens (entre os 15 e 20 anos) geralmente é o uso de drogas, em bairros sem qualquer opção de lazer ou educação. A fim de manter um tráfico doméstico em determinado bairro, os integrantes vão criando vínculos de proteção, resumido no clichê se mexer com ele, tá mexendo com todo mundo. A prática de marcar territórios redunda do estabelecimento desses vínculos. Neste processo, os jovens armados - vão ganhando visibilidade e desafiando a polícia, explica o pesquisador Naldson Ramos. Para tanto, eles estão propensos a passar a barreira dos roubos e assaltos num contexto onde se sentem mais protegidos pelas falhas na legislação brasileira ao lidar com crimes cometidos por crianças e adolescentes, como o latrocínio (roubo seguido de morte). E os jovens também matam por conta de atritos entre grupos ou mesmo por questões mais passionais como na disputa por garotas ou por puras desavenças pessoais. Atos de vingança também aparecem repetidamente nessas histórias. Outros crimes cometidos podem ser atribuídos ao mando de figuras importantes do tráfico, que se escondem por meio da atuação das gangues altamente influenciáveis por eles. (RD)