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CIDADES
Segunda-feira, 08 de Março de 2004, 20h:50

PARALISAÇÃO

Policiais federais entram em greve por tempo indeterminado

Categoria suspende desde hoje as investigações, intimações, oitivas de testemunhas e atendimento ao público

CARLOS MARTINS
Da Reportagem
Uma fila que aumentou em até 50% o movimento no setor de passaportes na tarde de ontem na sede da Polícia Federal de Mato Grosso em Cuiabá antecedeu o início da greve geral dos policiais federais em todo o país. A partir de hoje cem agentes também paralisam as atividades no Estado. Em todo o país pelo menos cinco mil policiais deverão aderir à greve. Apenas 30% do efetivo deverá trabalhar nos serviços essenciais (manutenção da carceragem e plantões). A exemplo do que irá ocorrer em outros estados, estão suspensas as investigações, intimações, oitiva de testemunhas e atendimento ao público em Cuiabá e nas três delegacias da PF localizadas em Rondonópolis, Cáceres e Barra do Garças. Além dos 100 policiais (o número ideal seria de 250), trabalham ainda no Estado 21 delegados em Cuiabá e pelo menos dois em cada uma das delegacias. Segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), a greve é por tempo indeterminado e só termina se o governo Lula aceitar negociar o cumprimento da Lei n° 9.266 de 1996 que implicaria num aumento de salário para agentes, escrivães e papiloscopistas. Pela lei, para ingressar nestes cargos exige-se nível superior, mas o vencimento atual dos policiais é de nível médio. A greve da PF vem sendo anunciada desde fevereiro. A direção da Fenapef reuniu-se no último dia 4 com o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, ocasião em que foi informada da resposta da Comissão Interministerial criada pelo governo para tratar da pauta de reivindicações: não havia nenhuma proposta. Segundo a direção da Fenapef, “o governo não se empenhou numa solução, pois decorreram três meses de negociação”, avaliou o presidente da Fenapef, Francisco Carlos Garisto, que cobra ainda a quitação das dívidas da PF com fornecedores, pagamento antecipado de diárias aos servidores e realização de concurso para as atividades meio (carreira administrativa) e concessão de gratificações para os administrativos. Sabendo que a greve estava marcada para ter início nesta terça-feira, dona Cecília José de Faria, 61 anos, veio ontem de Campo Verde, Sul do Estado, na companhia do marido, Sebastião Faria, para tirar seu passaporte. Junto com Sebastião, pastor missionário da Igreja Assembléia de Deus, ela viaja depois do dia 12 para Cochabamba, Bolívia, para um encontro dos missionários. De acordo com o chefe da Delegacia de Imigração da PF, Pedro Balata Filho, a expedição de passaporte e a regularização de estrangeiros no estado serão analisadas pelo comitê da greve composto pela direção do Sindicato dos Policiais Federais de Mato Grosso e mais dez agentes. “Existem aqueles casos emergenciais, tais como vistos de permanência ou prorrogação dos vistos de estrangeiros, em que os interessados não podem ser prejudicados e isso, é claro, será levado em conta pelo comitê”, disse Balata Filho. Os demais serviços da PF, incluindo inquéritos relativos ao crime organizado, também serão suspensos. A recomendação é que as denúncias sejam feitas diretamente pelo telefone 190 da Polícia Militar. A segurança de autoridades, incluindo juízes federais e procuradores da República continuam. “A greve não trará nenhum prejuízo à segurança destas autoridades”, garantiu o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Mato Grosso, Erlon José Brandão de Souza.

Edição EDIÇÃO 16964




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