O ex-prefeito de Nobres, Devair Valim de Melo (DEM), está sendo investigado por suspeita de envolvimento no esquema de falsificação de planos de manejo florestal para exploração ilegal de madeira, desarticulado pela Operação Guilhotina, na terça-feira passada. O nome de Melo surgiu no depoimento de um dos acusados, mas ainda não foram divulgados quais são os indícios que podem comprometê-lo. Melo deverá ser ouvido hoje pela manhã na Delegacia Fazendária. Ontem ele prestaria depoimento ao delegado Rogério Modelli e ao promotor de Justiça Domingos Sávio de Barros. Contudo, as autoridades afirmaram que apenas o advogado do ex-prefeito, Flávio Bertin, compareceu à delegacia para consultar o inquérito. Ele (Melo) foi comunicado informalmente e disse que viria, disse o promotor em relação ao não-comparecimento de Melo ontem. Não há ainda nenhum pedido de prisão preventiva contra Melo, mas Barros afirmou que a detenção pode ser solicitada caso ele não compareça hoje para ser ouvido. O ex-prefeito trabalha como assessor do deputado estadual Humberto Bosaipo. À medida em que os acusados e outras pessoas intimadas estão sendo ouvidos, surgem novos nomes no processo. Já ouvimos cerca de 40, disse Barros. Segundo ele, o número de indiciados poderá ser maior que a quantidade de mandados de prisão expedidos inicialmente, 75 no total. Desses, pouco mais de 30 foram cumpridos em 18 municípios mato-grossenses. Menos de seis pessoas continuam detidas, de acordo com o promotor. Os envolvidos no sistema poderão responder a processo por falsificação, estelionato, formação de quadrilha ou bando, lavagem de dinheiro e crime contra a administração pública. As investigações apontaram envolvimento de 101 madeireiras, mais de 30 engenheiros florestais, proprietários de terras e três servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). O esquema rendeu um prejuízo de R$ 58,6 milhões ao Estado e a extração ilícita de 81,8 mil de metros cúbicos de madeira.