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CIDADES
Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012, 21h:26

MT-040

Pavimento reprovado

Trecho é refeito após TCE determinar suspensão do pagamento à empresa responsável pelo serviço. A obra foi classificada como irregular

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Trechos da duplicação da Rodovia Palmiro Paes de Barros (MT-040), que liga Cuiabá ao município de Santo Antônio de Leverger (27 quilômetros da Capital), começam a ser refeitos. A obra foi paralisada no início deste mês, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinar a suspensão do pagamento à Dínamo Construtora, responsável pela execução dos serviços, devido às falhas e irregularidades identificadas na pista. No período de um ano, esta é a terceira obra tocada pelo Governo do estado que precisa de recuperação. A MT-251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, e a avenida Juliano Costa Marques, localizada no bairro Bela Vista, também passaram pela reconstrução antes de serem inauguradas oficialmente. No caso da MT-040, a duplicação estava prevista para ser entregue no fim deste ano. Agora, só deverá ficar pronta no segundo semestre de 2013. Em sua decisão, o TCE estabeleceu 60 dias para que as irregularidades identificadas sejam corrigidas, sob pena de multa ao secretário Arnaldo Alves, da Secretaria de Estado de Transportes e Pavimentação Urbana (Septu). O trecho está orçado em R$ 23 milhões. “É o dinheiro do povo que vai pelo ralo”, criticou a dona de casa Francisca Alves, de 57 anos, que possui um estabelecimento comercial às margens da rodovia, nas imediações do bairro Nova Esperança. “Não se passaram nem dois meses e a pista já estava toda cheia de buraco”, acrescentou. O aposentado Ernesto Bastos, 66 anos, também lamenta a situação. “Já modificaram o trevo e ele continua perigoso. Já teve caso de motorista que saiu da pista e por sorte não se machucou”, comentou Bastos se referindo ao projeto do trevo, que fica próximo ao quilômetro 11 da rodovia. O traçado também considerado perigoso pelo engenheiro da Septu Manuel Valério, que ontem pela manhã fiscalizava a obra. Valério informou que já havia sugerido a modificação de um dos trevos, o que também seria feito em relação aos demais. Outro cuidado, conforme ele, será em relação ao aterro, que precisa ser refeito em determinado ponto. “O aterro alto deve ser executado em camadas de 30 cm no máximo e cada uma bem compactada”, explicou. Superintendente de Obras e Transportes da Septu, Zenildo de Castro, argumentou que a obra ainda está em execução, assim, passível de apresentar “patologias” (irregularidades) de ordem técnica e de execução, entre outras. Castro garante que engenheiros da Seput fiscalizam as obras, mas que o trabalho de sondagem é feito por amostragem (a cada 20 metros, por exemplo) e, dentro de determinado espaço, podem surgir problemas. Já os gastos com os reparos, conforme ele, serão arcados pela empresa. Os problemas detectados na MT-040 é só mais um exemplo de trabalho mal feito. Mais conhecida como Rodovia Emanuel Pinheiro, a MT-251 teve o mesmo problema com a qualidade da obra de duplicação, a partir da entrada do bairro Jardim Vitória ao trevo de acesso a Manso. Lá, os trabalhos também tiveram que ser refeitos para corrigir falhas de engenharia e acabar com os diversos pontos danificados. Situação semelhante ocorreu na avenida Juliano Costa Marques, que liga a avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA) ao bairro Bela Vista. Obra da Copa do Mundo de 2014, a via foi duplicada e, em aproximadamente três meses de uso, passou a apresentar um asfalto gasto, com rachaduras e ondulações. Resultado: a empresa responsável pela obra teve que recuperar todo o asfalto.

Edição EDIÇÃO 16969




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