CIDADES
Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13h:58
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Patrões atraem vítimas com falsas promessas
Quando veio para Mato Grosso, em 1997, arregimentado por um gato (aliciador de trabalhadores para terceiros), o maranhense J. S., 50 anos, pensou que sua situação financeira melhoraria. Com uma promessa de salário melhor, quase o dobro do que ganhava na região onde nasceu, se embrenhou na mata com dezenas de outros homens para trabalhar nas derrubadas de árvores e manutenção de pastos. De fazenda em fazenda, trabalhando em atividades diferentes, se passaram 13 anos e nada mudou na vida dele. Nascido em uma família pobre, na qual era submetido a privações desde a infância, na fazenda onde estava trabalhando, mesmo sendo obrigado a beber água no mesmo rio em que os animais bebiam, se refrescavam e muitas vezes defecavam, J. S. Santos acha que aquilo era coisa de quem trabalhava na roça, isolado da cidade. Ele também era obrigado a dormir em um barraco de lona, sem paredes e portas, em camas improvisadas com galhos de árvore retirados da mata, e se levantar às 4h da manhã para preparar o almoço. Não havia banheiro, todos faziam as necessidades no mato. Daí a imaginar que vivia em situação considerada crime para o patrão, diz, nunca havia passado pela cabeça dele. Só depois, conta, entendeu que realmente ninguém merecia viver como ele e seus companheiros estavam vivendo no mato. Acho que nem os presos, que cometem crimes e vão parar na cadeia, passam pelo que passamos, reflete. Em 2010, quando alguém denunciou que os trabalhadores estavam sendo submetidos a condições subumanas, a vida dele teve uma reviravolta. Resgatado, veio para a cidade próxima da fazenda, onde teve a oportunidade de, pela primeira, ter a carteira de trabalho, identidade e outros documentos. Até então seu único documento era a certidão de nascimento. Também frequentou um curso de alfabetização e aprendeu a ler e escrever. Ele permanece em Mato Grosso, trabalhando como lavrador, mas com carteira assinada e recebendo em dia. (AA) LEIA TAMBÉM #LINK#424333#Trabalhadores revelam marcas da crueldade #LINK#424334#Patrões atraem vítimas com falsas promessas #LINK#424335#Bispo denunciou trabalho escravo pela primeira vez