CIDADES
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011, 21h:28
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CASO LEOPOLDINO
Para OAB, provas atestam farsa
O advogado Ussiel Tavares, designado pela seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acompanhar a instrução do processo na Justiça Federal sobre a tentativa de fraude no caso da morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, afirmou ontem que as provas colhidas até o momento atestam que houve sim uma tentativa de acabar com a materialidade do crime. Ussiel acompanhou ontem os depoimentos das testemunhas de acusação no processo, cujos réus são o delegado Márcio Pieroni, o lobista Josino Pereira Guimarães, seu irmão Cloves Luiz Guimarães, o detento Abadia Paes Proença e o investigador Gardel Tadeu Ferreira de Lima. Eles são acusados de tentar forjar uma reviravolta no processo criminal que tem Josino como réu, na condição de mandante do assassinato do juiz Leopoldino. Plantando informações falsas de que o magistrado estaria vivo e residindo em outro país, Josino se livraria do júri popular. Foi o que motivou o Ministério Público Federal (MPF) a pedir a prisão de Pieroni e Josino. O pedido foi aceito pela Justiça. Os réus também acompanharam ontem os depoimentos das testemunhas de acusação, os quais não revelaram qualquer contradição, segundo Tavares. As versões foram repetidas, resumiu o advogado, reafirmando a existência de uma tentativa de farsa. A declaração de Tavares vai contra as da defesa de Pieroni. As contradições foram a primeira observação feita pelo advogado Sebastião Monteiro após o dia de depoimentos. São todas contradições, principalmente entre os peritos. Eles contradizem o que disseram à Polícia Federal, apontou o defensor, mencionando também que a ex-escrevente Beatriz Árias - a última a depor mentiu. Beatriz já foi condenada como co-responsável pela morte de Leopoldino e cumpre pena em regime semi-aberto. Beatriz declarou ao MPF que fora procurada por Pieroni em 2006 para servir na sustentação da tese de que o juiz estaria vivo. Após o depoimento na noite de ontem, Beatriz não quis falar com a imprensa. Já o advogado Waldir Caldas, que defende Josino e seu irmão no processo, concordou que houve algumas contradições nos depoimentos, mas afirmou que elas fazem parte do trabalho de tornar a verdade muito mais próxima e que os esclarecimentos prevaleceram. Caldas sustentou que o crime contra Leopoldino não aconteceu e ainda anunciou que tentará manter Josino, que havia sido preso em Rondonópolis, em Cuiabá mesmo depois dos depoimentos na Justiça Federal. Por sua vez, o representante do MPF não foi encontrado pela reportagem para comentar. Dentre os poucos depoentes que aceitaram falar com a imprensa, o dentista Antônio José Garcia Palma afirmou que o laudo produzido sobre a arcada dentária do suposto corpo de Leopoldino não teve condições de concluir qualquer coisa. O laudo havia sido requerido pelo Conselho Regional de Odontologia. Os depoimentos continuam hoje, com 17 testemunhas de defesa. Na quinta-feira, é a vez dos cinco réus.