NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

CIDADES
Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011, 19h:20

EDUCAÇÃO RURAL

Pais derrubam escola precária no Nortão

DAFNE SPOLTI
Da Reportagem
Pais de alunos e moradores “desconstruíram” a escola Santo Antonio, que fica na Agrovila Pé de Caju, no assentamento Santo Antonio, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Confresa (cerca de mil quilômetros de Cuiabá, ao norte). A escola funcionava em abrigo improvisado, apesar de ter, ao lado da estrutura atual uma escola quase pronta, nova, que aguarda autorização para ser concluída. Antes de existir a escola recém-desmontada, os assentamentos da região tinham pequenos núcleos escolares. “As crianças estudavam debaixo da árvore ou em um ranchinho de palha”, explica o líder comunitário Ananias Antonio de Sousa, de 53 anos. Com a dificuldade, os moradores decidiram, junto com a prefeitura, que seria melhor unir todos os pequenos núcleos educacionais. Eles mesmos levantaram a estrutura rústica onde passou a funcionar a então escola municipal em 2006. Em 2009, passou a ser uma escola estadual. Nessa época começaram as obras do Programa de Emancipação e Consolidação de Assentamento Resultante da Reforma Agrária (PAC) para criação do novo colégio. No mesmo ano, porém, um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu as obras por falta de fiscalização. Segundo a professora Evani Costa dos Santos, assessora pedagógica da escola, os pais ficaram indignados por seus filhos ainda estarem em uma construção improvisada. Além disso, ela explica que havia risco de desmoronamento. Isso poderia atingir os 300 alunos e os funcionários do local. A escola atende hoje quatro assentamentos, além de uma agrovila e fazenda da região. Para Ananias, foi necessário desmanchar a antiga construção. Ele garante que avisaram a diversos órgãos da cidade, entre eles o Conselho Tutelar, que fariam o desmanche. “A gente não podia deixar chegar o período de chuva”, explica. Segundo ele, as madeiras da escola estão muito velhas, o que configura perigo real de desabamento. A professora Evani disse que a comunidade já tinha se manifestado para que o Incra continuasse as obras. Na ocasião, o instituto garantiu tomar os procedimentos, porém, até agora não solucionou o problema. Segundo a Secretaria Estado de Educação (Seduc), a continuidade da obra é responsabilidade do Incra, mas um termo de cooperação será firmado para que a obra possa continuar. A Secretaria já enviou o documento para assinatura. O texto do objeto diz que a Seduc fará “acompanhamento, monitoramento e fiscalização da construção de (5) escolas novas, contendo (8) salas de aula, banheiros e cozinha”. O Incra informou que o novo superintendente, Willian César de Sampaio, que assumiu o cargo recentemente, está se inteirando do assunto. Com o desmanche da escola, os estudantes estão divididos em igrejas e no barracão da associação dos produtores agrícolas. Ananias diz torcer para que a nova escola funcione logo. Seus cinco filhos já passaram por ela e, brevemente seus netos devem começar os estudos. “Por isso tem que construir uma ‘escolona’ bem grande, bem bonita”, reforça o agricultor.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL