CIDADES
Segunda-feira, 10 de Março de 2014, 20h:34
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COT DA UFMT
Operários paralisaram as atividades
Trabalhadores que atuam na obra do Centro de Treinamento previsto para a Copa, resolvem cruzar os braços pedindo melhores condições
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Cerca de 190 operários que atuam na obra do Centro Oficial de Treinamento (COT) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), cujo orçamento é de R$ 15,8 milhões, paralisaram as atividades ontem. Eles reclamam de atraso salarial e das más condições de trabalho. A obra é tocada pela empresa Engeglobal, que negou a precariedade e garantiu que o pagamento seria feito ainda ontem. O protesto começou por volta das 7 horas, quando os operários fecharam os portões do canteiro de obras e só permitiram a passagem dos membros do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Cuiabá e Municípios (Sintraicccm). Só recebemos café da manhã e o almoço, sendo que a comida é pouca e a água que bebemos vem em um caminhão pipa, é colocada na caixa dágua e está provocando alergia, relatou o operário Carlos de Souza, 33 anos. De acordo com o presidente do Sintraicccm, Joaquim Santana, os banheiros estão entupidos, não há água no bebedouro e a empresa também não estaria contabilizando horas extras, além de não repassar o vale transporte e efetuar o depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O trabalhador que reclama é ameaçado de demissão, afirmou Santana. Conforme Joaquim Santana, os problemas já haviam sido encaminhados à Superintendência Regional do Trabalho (STRE) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Porém, nada foi feito. Ainda pela manhã, Santana e uma comissão dos trabalhadores estiveram reunidos com representantes da STRE. Chefe de fiscalização da STRE, José Almeida Júnior informou que fiscais estiveram no COT da UFMT no fim de dezembro do ano passado e constataram irregularidades referentes à segurança e saúde de trabalhador. Na inspeção feita na tarde de ontem foi constatado que as instalações sanitárias estão razoáveis, mas será encomendado um laudo mais técnico. As denúncias sobre não recolhimento do FGTS, abuso na jornada de trabalho, atraso salarial, transporte dos operários e alimentação ainda estão sendo investigadas bem como as questões ligadas à segurança e saúde no local de trabalho, que serão vistoriadas hoje. Responsável pelas obras, a empresa Engeglobal garantiu que o pagamento estaria sendo feito ainda ontem e negou a existência dos problemas relatados pelos trabalhadores no canteiro de obras. Somos uma empresa com 35 anos e tratamos todos com dignidade, afirmou o presidente da Engeglobal, Robério Garcia. Porém, Garcia disse que estaria indo verificar pessoalmente a situação no canteiro de obras. Vou ainda hoje (ontem) no local para verificar o que está acontecendo, disse. Ele garantiu ainda que cumprido o prazo de entrega dos COTs da UFMT e da Barra do Paria, previstos para o fim de maio. Entretanto, os operários afirmam que apenas 40% dos trabalhos foram concluídos. A PM esteve no local para acalmar os ânimos. (Colaborou, Gustavo Nascimento)