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CIDADES
Terça-feira, 03 de Julho de 2007, 21h:12

EXPLORAÇÃO

Novas investigações

Apesar de encerrado o inquérito na Deddica contra pais que aliciavam filhas e outras menores, ‘rede’ ainda será apurada

KEITY ROMA
Da Reportagem
A Delegacia Especializada da Defesa do Direito da Criança e do Adolescente (Deddica) encaminhará para delegacias do Coxipó e de Rondonópolis informações colhidas sobre o esquema de exploração sexual infanto-juvenil e tráfico de drogas no Pedra 90, para que novas investigações sejam iniciadas. A delegada Liliane Murata concluiu o inquérito ontem, com indiciamento apenas dos três principais envolvidos no caso. Jocelma Barbosa dos Santos, de 33 anos, e o marido Rolindo Rojas, de 48 anos, são acusados de submeter crianças e adolescentes à exploração sexual, inclusive três filhas, uma delas com apenas 10 anos de idade. O taxista Cláudio Colmam também foi indiciado, mas por favorecimento à exploração. O processo está correndo agora na 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá. Outras pessoas foram citadas no documento por testemunhas e pelas vítimas ouvidas na delegacia. Seriam vários suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas em Rondonópolis e um deles em Cuiabá, além de um sobrinho de Jocelma e um adolescente que saía com as menores que faziam programas. Além de se prostituírem, as jovens eram utilizadas para o tráfico de entorpecentes entre as cidades citadas. Já para apurar a possível ligação de três policiais militares com a rede de prostituição, será necessário iniciar novas investigações, segundo Liliane Murata. Isso porque eles não haviam sido citados nos depoimentos prestados na Deddica. Contudo, a garota que denunciou a ação dos aliciadores relatou a ligação dos militares com o esquema a outro delegado da Capital, antes do caso ser repassado à Deddica. Liliane Murata afirmou que procurou os órgãos competentes para obter esclarecimentos sobre as informações veiculadas na mídia e que se houver indícios da participação dos policiais, serão abertos novos procedimentos para investigá-los. Os militares são acusados pela menor de colaborar com a fuga de três delas da Casa de Retaguarda em janeiro deste ano, além de se relacionar com as meninas, uma delas com apenas 13 anos na época, e ainda de dificultar a ação da Polícia Civil para desarticular a quadrilha, que vinha sendo investigada desde novembro. A corregedoria da Polícia Militar teria aberto ontem um procedimento administrativo para apurar o envolvimento dos servidores com as garotas. Elas citaram o sobrenome de dois deles e fez referência a características físicas do terceiro. Todos trabalhavam no bairro Pedra 90 até o ano passado. Apesar de ter encerrado o inquérito que corria na Deddica, Liliane Murata afirmou que ainda receberá da Coordenadoria de Criminalística o resultados de laudos e as gravações telefônicas que foram colhidas ao longo das investigações. “Tudo será juntado aos autos”, disse. Apesar das equipes que participaram das investigações apontarem a existência de uma rede que protegia a ação da dupla de aliciadores, apenas Jocelma está presa. Rolindo está foragido. Os nove filhos do casal e outras menores que eram aliciadas estão em abrigos da Capital. Nove meninas, sendo três filhas do casal, faziam programas.

Edição EDIÇÃO 16967




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