É pouco provável que as mudanças climáticas globais tenham tido alguma influência no atual ressecamento anormal verificado em pontos do Pantanal, como na baía de Chacororé, em Barão de Melgaço (113 Km de Cuiabá). A afirmação é do professor Antonio Cendrero, catedrático de Geodinâmica Externa da Universidade de Catabria (Espanha) e palestrante de hoje no seminário internacional Mudanças Climáticas: Um Diálogo Necessário no Contexto das (in) Certezas, na UFMT. Para Cendrero, embora seja esta uma visão muito popularizada atualmente no mundo, ainda é muito cedo para poder atribuir às mudanças climáticas globais peso incontestável em casos como a rigorosa estiagem do Pantanal e outras secas ao redor do planeta. Essas mudanças têm efeitos mais graduais, a longo prazo, afirma o espanhol, voltando o foco para a ação do homem. Ele menciona que há dados confirmando o aumento de processos erosivos e da produção de sedimentos na região pantaneira ao longo das últimas décadas. Esta mudança consistiria basicamente numa resposta intensa da superfície da terra às ações nocivas do homem ao ambiente local, o que tem se repetido em diversos outros biomas no mundo, diz. A opinião, de fora, se afina à afirmação da pesquisadora Cátia Nunes da Cunha, do Núcleo de Estudos Ecológicos do Pantanal da UFMT, de que a ação do homem prepondera no silencioso processo de danos ao sensível sistema pantaneiro. Para Cátia, casos como o de Chacororé que vive a pior seca em 40 anos - são apenas evidências de que há um processo predatório ameaçando o Pantanal por meio de pelo menos três grandes frentes protagonizadas por governo e grandes proprietários rurais: as aberturas de estradas com engenharia inadequada, a agricultura desrespeitosa para a natureza da região e o atual modelo energético, baseado na proliferação de usinas hidrelétricas e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) nos principais rios do Estado.