CIDADES
Sábado, 24 de Outubro de 2009, 01h:32
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DESARMAMENTO
MT tem baixa adesão
Estado não registrou nenhuma entrega de armas em 2008. Até 6,4 artefatos sem registro para cada 100, no Estado
STEFFANIE SCHMIDT
Da Reportagem
Mato Grosso foi o único estado que não registrou a entrega voluntária de nenhuma arma em 2008, durante a segunda Campanha do Desarmamento. Em contrapartida, a estimativa é de que existam de 4,2 a 6,4 armas sem registro circulando para cada grupo de 100 habitantes no Estado. Os dados são do Mapeamento do Comércio e Tráfico Ilegal de Armas no Brasil, coordenado pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Viva Comunidade, em parceria com a Subcomissão Especial de Armas e Munições, da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. A Polícia Federal em Mato Grosso confirmou a falta de adesões à campanha no ano passado. No Estado, a maioria das armas apreendidas é revólveres, o equivalente a 56,21%, segundo o relatório. Uma fonte ligada à Polícia Militar do Estado afirmou que os calibres mais encontrados são do tipo 38 e 32 e a forte presença deste tipo de armamento está ligada ao fato de ser considerada uma excelente arma de proteção. Em seguida, espingardas 27,65% - são as que mais aparecem nos relatórios de apreensões, uma característica ligada a centros urbanos que mantêm contato com as zonas rurais, já que são comumente utilizadas para caça, segundo a fonte. As pistolas representam apenas 5,19% das apreensões e são preferidas por pessoas mais jovens, por ser uma arma que pode ser acionada de forma automática. A tendência, segundo a fonte, é de que ela ganhe mais espaço no mercado, já que pode ser adquirida, de forma ilegal, por até R$ 500. A antiga garrucha, conhecida por seu cano curto, possui normalmente um único tiro e é mais difícil de ser encontrada: responde por apenas 4,4% das apreensões. A carabina, mais curta que a espingarda, equivale a 1,65% nas estatísticas. Seu uso também é contumaz em caças e eventos desportivos. Em todo país, são cerca de 17,6 milhões de armas circulando ao todo, das quais apenas 2 milhões estão em posse do Estado, junto às Forças Armadas e à segurança pública. O restante - 15,5 milhões são armas de cunho privado. Destas, 5,4 milhões são legais e estão registradas, mas, a maioria - 10,1 milhões - está em situação ilegal. O mais agravante é que, do total de armas ilegais, 6 milhões estão sendo utilizadas por criminosos e apenas 4 milhões podem estar em mãos de pessoas que possuem arma, mas não registraram. Os dados sobre armas de fogo em situação ilegal colocam Mato Grosso no terceiro grupo de unidades federativas com maior numero de armamento clandestino, segundo o relatório, perdendo para estados como Santa Catarina, Rio de Janeiro, Acre, Distrito Federal e Roraima. A tradição em não entregar armas voluntariamente se confirma pelo histórico do Estado: das 27 unidades federativas, Mato Grosso foi a 10ª que menos recolheu armas, durante a primeira campanha, realizada entre julho de 2004 e outubro de 2005. Ao todo, foram 4,8 mil armas. O Estado campeão foi o Rio de Janeiro, com 44 mil. Para a PM, não existe diferenciação entre armas sem registro e armas que circulam em mãos de criminosos.