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CIDADES
Sábado, 19 de Abril de 2008, 15h:35

MEDULA ÓSSEA

MT tem 47 que aguardam o transplante

Tratamento de pacientes é feito no interior de São Paulo, mas interessados em fazer doação do órgão podem procurar o MT-Hemocentro, em Cuiabá

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Quarenta e sete pacientes aguardam para fazer o transplante de medula óssea (TMO) em Mato Grosso. Destes, três estão sendo encaminhados para São José do Rio Preto (SP) para consulta e, posteriormente, a cirurgia. Entre eles, está o pedreiro Fernando Gonçalves da Silva, 29 anos, de Primavera do Leste (231 quilômetros, ao Leste de Cuiabá). Há três anos, Fernando descobriu que tinha um linfoma. “Fiz um ano e meio de quimioterapia e radioterapia e fiquei bom, mas o linfoma voltou e terei que fazer o transplante de medula óssea”, disse. No próximo dia 22, ele viaja para a cidade do interior paulista para consultas médicas. A data para o transplante não está marcada. Na última sexta-feira, ele esteve na Central Estadual de Transplantes cuidando dos últimos preparativos para a viagem. “Fui muito bem atendido. Está tudo certo. Não tive nenhuma dificuldade”, garantiu. No seu caso, ele mesmo será o doador. É o chamado paciente autólogo, ou seja, usa-se a medula do próprio paciente. “Isso só será possível porque minha medula está boa”, disse. Porém, ele lembrou que a maior dificuldade encontrada pelo paciente de TMO é achar um doador compatível. “As pessoas precisam ajudar. Se a minha medula tivesse sido afetada não teria como eu mesmo ser o doador, o que é muito difícil encontrar”, comentou. O transplante de medula óssea é indicado principalmente para o tratamento de doenças que comprometem o funcionamento do órgão, como doenças hematológicas, onco-hematológicas e alguns tumores sólidos e doenças auto-imunes. De acordo com a diretora técnica do MT-Hemocentro, Carla Marques Rondon Campos, atualmente Mato Grosso possui no Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome) sete mil voluntários em potencial. O Redome é um cadastro nacional, que reúne informações como nome, endereço, resultados de exames e características genéticas de pessoas que se dispõem a doar a medula para transplante. Para Carla Marques, o aumento de doadores é um dos maiores avanços alçados pelo Estado. “Na época em que o registro foi implantado, em 2005, tínhamos cerca de 200 doadores. Hoje, são sete mil. Quanto maior for o número de doadores, maior é a chance de o paciente encontrar um doador compatível”, disse. “Este aumento é resultado das campanhas que realizamos, desmistificando os mitos sobre o transplante e mostrando a necessidade, o quanto é importante ser doador”, acrescentou. Conforme Carla Marques, a chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a uma em cem mil. Apesar desta dificuldade, ela considerada bom o número de doadores voluntários cadastrados no Estado. “Desde que o Redome foi implantado já tivemos onze doadores compatíveis”, informou. Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode doar medula óssea, que é retirada do interior de ossos da bacia, através de punções e se recompõe em 15 dias. Para saber mais como fazer para ser doador é só ligar 3623-0044 ramal 231.

Edição EDIÇÃO 16966




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