CIDADES
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011, 20h:00
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AMAZÔNIA
MT registra aumento de 15% no desmate
Estado voltou a apresentar crescimento na devastação da floresta, quando comparados dados de agosto de 2011 com mesmo mês no ano passado
ALCIONE DOS ANJOS
Da Reportagem
Mato Grosso voltou a registrar aumento na devastação da Floresta Amazônica. Pelo menos é o que apontam os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), com crescimento de 15% no total desmatado em agosto passado, em relação ao mesmo mês de 2010. Segundo o levantamento, 35 quilômetros quadrados da floresta foram cortados em agosto, o que representa 3,5 mil campos de futebol devastados. No mesmo mês do ano anterior o Estado registrou 24 quilômetros quadrados de desmatamento. O aumento será um dos temas da pauta da reunião a ser realizada na terça-feira pela Comissão de Prevenção e Combate ao Desmatamento e Queimadas de Mato Grosso, na sede da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). Cada quilômetro quadrado representa 100 hectares. Mato Grosso desmatou o equivalente a 3.500 campos de futebol em um ano, compara o coordenador executivo do Instituto Centro de Vida (ICV), Laurent Micol. É uma situação preocupante. Mato Grosso vinha reduzindo os índices do desmatamento e, de um ano para outro, houve uma inversão. Agora o Estado voltou a desmatar, avalia o coordenador do ICV, que é parceiro do Imazon em Mato Grosso. Micol explica que a preocupação se dá principalmente porque agosto é considerado o primeiro mês do calendário oficial de desmatamento. Nas análises feitas por institutos ambientalistas a retomada do desmatamento ocorre devido a aprovação do Zoneamento, que flexibilizou as leis, desequilibrando o zoneamento para os ruralistas, critica. De acordo com o Imazon, em um mês, os satélites usados pelo instituto para fazer a avaliação identificaram 240 km² de novos desmates. A área desmatada no mês passado foi 158% maior do que a registrada pelo Imazon em julho, quando a floresta perdeu 93 km². Desse total, Mato Grosso, foi o terceiro colocado em área desmatada. O Estado que mais derrubou a floresta foi o Pará (49%), seguido por Rondônia (19%). Amazonas (9%) ocupou a quarta colocação, seguido por Acre (4%), Roraima (3%) e Tocantins (1%). Além do corte raso (desmatamento total), o levantamento do Imazon mede a degradação florestal (florestas exploradas por atividade madeireira sem plano de manejo ou atingidas por queimadas). Em agosto, a degradação avançou sobre 131 km² de áreas de floresta. Em relação a agosto de 2010, quando a degradação atingiu 1,5 mil km², houve redução de 92%, principalmente no Pará, em Mato Grosso e Rondônia. Mas, mesmo com a queda do índice, Mato Grosso continua sendo o líder da exploração. O Estado é responsável por 58% da degradação, seguido pelo Pará (21%). Mato Grosso já conseguiu reduzir o desmate, mas jamais reduziu a degradação. No ano passado, que foi um ano atípico, muito seco, houve um surto de queimadas. A redução desse índice este ano se deve também ao tempo seco ser menor do que em agosto de 2010, acredita Micol.