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CIDADES
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 12h:28

TRANSPLANTES

MT registra alta de 15%

Acima da média brasileira, números serão encorpados em 2009 com início de procedimentos com medula óssea

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Mato Grosso é um dos estados brasileiros que apresentaram crescimento na realização de transplantes entre 2007 e 2008. Nos últimos dois anos, o aumento foi de 15%, superando o percentual nacional de alta de 10% em procedimentos. O índice mato-grossense pode ser ainda maior ao final de 2009 por um motivo extra: a expectativa é que ainda em março o Hospital Geral Universitário (HGU), já credenciado pelo Ministério da Saúde (MS), comece a fazer o transplante de medula óssea. Em 2008, o transplante de córnea é o que teve maior elevação. Saltou de 151 em 2007 para 162 procedimentos no ano passado. Neste ano, já foram realizados 35 transplantes desse tipo. Atualmente, o transplante de córnea é realizado no HGU e no Hospital de Olhos, onde, desde 2007, funciona o banco de olhos. Mas apesar do avanço, 248 pessoas aguardam pelo procedimento. “É difícil zerar a lista de espera. Todo dia entram e saem pacientes”, afirma a coordenadora de Transplantes, Fátima Melo. Em 2006, a lista era formada por 418 pessoas. Os procedimentos de córnea também colocam Mato Grosso em outras posições de destaque. Conforme Fátima Melo, registros da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) mostram que, em números absolutos, o Estado ocupa o nono lugar em transplantes de córnea em nível nacional. Mas, considerando a média por milhão de habitantes, ocupa o quarto lugar. No Estado, também são realizados os transplantes de enxerto ósseo e rim. Em 2008, foram feitos oito transplantes renais, entre intervivos e doador falecido. Este ano ocorreu mais um. A lista de espera por um rim é bem maior. São 731 aguardando o procedimento em Mato Grosso. Fátima Melo diz que, segundo orientação da ABTO, será feita uma reavaliação da lista, pois boa parte destes pacientes pode não estar apta para o transplante. Já os pacientes que precisam de fígado, pulmão e coração novos são encaminhados para os grandes centros, como São Paulo. A coordenadora Fátima Melo acredita que o aumento nos procedimentos é resultado de uma política voltada para a captação e doação de órgãos. Ela observa que 2007 foi um ano de reorganização com a implantação do laboratório de histocompatibilidade, no HGU, além do banco de olhos. Também foi dada uma atenção especial à criação e capacitação das Comissões Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). “Hoje existem quatro comissões e, neste ano, vamos trabalhar outros hospitais que ainda não têm”, informou. “Temos trabalhado a conscientização não só da população, mas também dos profissionais da saúde porque o potencial doador está lá no hospital”, acrescentou. Outro fator importante, segundo a coordenadora, são as campanhas de sensibilização realizadas em locais de grande concentração de pessoas, como igrejas e escolas. Na opinião de Fátima Melo, o maior entrave ainda hoje para aumentar o número de transplantes é a falta de segurança e de conhecimento das pessoas sobre morte cerebral. Por isso, a importância da abordagem da família ser feita por um profissional que conheça os procedimentos para doação é ainda maior. Esse profissional precisa possuir argumentos fortes para convencer e esclarecer a família sobre a doação de órgãos. Além disso, a agilidade nos transplantes depende de vários fatores, como um diagnóstico rápido de morte encefálica, uma captação eficiente e maior compatibilidade entre doador e receptor. As córneas, por exemplo, devem ser retiradas em até seis horas após a morte.

Edição EDIÇÃO 16967




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