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CIDADES
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012, 21h:47

DENGUE

MPF não acata pedido de promotor para interferência do Exército

JÉSSICA BENITEZ
Da Reportagem
Diante da situação caótica estabelecida na saúde pública devido aos inúmeros casos de dengue em Cuiabá e Várzea Grande, o Ministério Público Estadual (MPE), por meio de uma liminar em ação civil pública, requereu auxílio das Forças Armadas para controlar a situação. O objetivo principal do pedido era agilizar e suprir a falta de atendimento médico à população de ambas as cidades. Porém, a Justiça Federal não acatou o pedido. A medida cautelar preparatória contra a União Federal, o Estado e os municípios foi ingressada pelo promotor de Justiça Alexandre de Matos Guedes, que diz respeitar a decisão do Ministério Público Federal (MPF). “Eu respeito a decisão, porém faltam médicos para atender tantos casos da doença. O MP trabalhou meses na prevenção da doença, mas os casos se expandiram, principalmente em relação ao tipo 4”, explica. No requerimento Guedes elenca várias medidas para combater a epidemia, entre elas autorização para que os servidores militares adentrassem residências fechadas ou locais onde os proprietários não permitissem a realização das devidas providências para que a doença seja combatida, principalmente em bairros mais atingidos pelo problema. Que a União Federal assumisse a coordenação de todos os serviços relativos ao combate da dengue nos dois municípios em questão. E que as medidas fossem cumpridas durante 90 dias. O argumento usado para justificar a negativa foi que o MPE não goza de legitimidade para atuar na Justiça Federal, propondo ação civil pública para tutelar interesse que deve ser protegido pelo MPF. Para finalizar a argumentação, o procurador da República Douglas Santos Araújo escreveu que acatar o pedido acarretaria interferência indevida do Poder Judiciário. Enquanto isso mais casos da enfermidade são registrados sendo que quatro mortes já foram ocorreram, duas em Cuiabá e outras duas em Várzea Grande. Até a primeira quinzena de abril a secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) já havia registrado mais de 12.700 casos, sendo 3.087 na Capital. Vale lembrar que, por dia, dezenas de novos doentes entram na fila de espera por atendimento. Faltam leitos e profissionais para atender a demanda de vítimas do Aedes aegypti (mosquito da dengue) tanto na rede pública quanto na particular. Para finalizar, Guedes afirma que o MPE esgotou todas as possibilidades e que agora ele pede ajuda ao Ministério da Defesa para resolver o problema. “Qualquer hospitalização gasta muito mais que um soro ou um atendimento de triagem. A população precisa de mais médicos disponíveis e isso não pode esperar”, lamenta.

Edição EDIÇÃO 16962




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