NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 06 de Junho de 2026

CIDADES
Sexta-feira, 05 de Dezembro de 2025, 16h:55

TENTOU MATAR A EX-NAMORADA

MP vai ao STJ e STF contra decisão que anulou a pena de advogado

Nauder Andrade agrediu Emily Medeiros com socos, chutes, golpes com barra de ferro e tentativa de enforcamento

Da Redação
Reprodução/TJMT
A Suprema Corte determinou novo julgamento do advogado Nauder Júnior Alves Andrade pelo Tribunal do Júri, em Cuiabá

O Ministério Público de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Ações de Recursos Especiais (Nare), apresentou recursos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT), que anulou a condenação do advogado Nauder Junior Alves Andrade por tentativa de feminicídio.

O crime foi praticado contra a ex-namorada, Emily Tenorio de Medeiros.

O Tribunal de Justiça determinou novo julgamento pelo Tribunal do Júri, em Cuiabá. 

Leia também:

TJ anula condenação de acusado de tentar matar ex-namorada

Segundo o MPMT, a decisão trouxe graves violações à Constituição e à Lei Federal, sendo elas a inafastabilidade da jurisdição, a soberania dos veredictos e o desrespeito ao princípio do contraditório do Tribunal do Júri.

Isso porque, depois que o Ministério Público já havia respondido à apelação da defesa, o TJMT aceitou um complemento ao recurso com argumentos totalmente novos e fora do prazo. 

“Ocorre que, somente após a apresentação das contrarrazões ministeriais, a defesa protocolou extenso aditamento às razões de apelação, documento que alterou completamente a estrutura recursal anteriormente apresentada. Esse aditamento, longe de ser mera complementação ou ajuste formal, introduziu teses complexas, inéditas e substancialmente distintas daquelas já debatidas, alterando profundamente o objeto recursal”, considerou o Nare, no recurso. 

Além disso, o Ministério Público afirma que o TJMT foi além do que a lei permite, ao revisar a decisão do Júri.

Em vez de apenas verificar se havia provas para sustentar a condenação, o Tribunal reavaliou todo o conjunto de provas, reinterpretou depoimentos e laudos e concluiu que não teria havido intenção de matar, contrariando a decisão dos jurados. 

O MPMT sustenta que a soberania do Júri é garantida pela Constituição justamente para que crimes contra a vida sejam julgados pela sociedade.

“Quando tribunais de segundo grau cassam vereditos com base em revaloração probatória — reexaminando laudos, depoimentos e dinâmicas fáticas para substituir o convencimento dos jurados — ocorre não apenas afronta à Constituição, mas erosão estrutural de um dos pilares do sistema penal democrático”. 

Nos recursos, o MPMT pede ao STF e ao STJ que restabeleçam a decisão do Júri ou anule o julgamento da apelação, para que o Ministério Público possa se manifestar sobre os novos argumentos apresentados pela defesa.

O órgão também destaca que o caso tem repercussão nacional, pois envolve princípios fundamentais do processo penal e a preservação da integridade do Tribunal do Júri. 

JULGAMENTO - Em sessão do Júri realizada no dia 30 de setembro deste ano, Nauder foi condenado a 10 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio tentado contra Emily Tenorio de Medeiros.

Ele chegou a fazer a própria defesa em plenário. 

O Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público e reconheceu que o crime foi cometido por motivo fútil, com recurso que dificultou a defesa da vítima, em razão da condição de sexo feminino e no âmbito de violência doméstica.

A juíza determinou a execução imediata da pena, negando ao réu o direito de recorrer em liberdade. 

Segundo a denúncia, o crime ocorreu em agosto de 2023, no bairro Tancredo Neves, em Cuiabá.

Nauder agrediu violentamente sua companheira com socos, chutes, golpes com barra de ferro e tentativa de enforcamento, causando múltiplos edemas e escoriações.

A tentativa de feminicídio não se consumou porque a vítima conseguiu fugir e receber socorro. 


Edição edição 16957




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL