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CIDADES
Quarta-feira, 09 de Julho de 2008, 21h:08

CASO TIJUCAL

Minando a acusação

Acusado de participar da chacina, Douglas Barzanini diz no tribunal do júri que foi torturado para confessar o crime

DANA CAMPOS
Da Reportagem
O motorista Douglas Bazanini de Souza negou ontem, durante o tribunal do júri no Fórum de Cuiabá, que tenha participado do assassinato do adolescente Adriano Barbosa Lima, o “Talinha”, um dos quatro garotos assassinados em abril de 1996 em Cuiabá, no episódio conhecido como Caso Tijucal. Ele ainda denunciou à juíza Mônica Catarina Perry de Siqueira que foi torturado por policias para que assumisse a culpa no crime. “Fui levado para um porão na região do bairro Paiaguás. Eles me batiam de tarde e de noite, e mandavam confessar o crime”. O julgamento de Douglas Bazanini começou por volta das 14 horas e até o fechamento desta edição ainda não havia terminado. A acusação arrolou duas testemunhas e a defesa, uma. Conforme o depoimento, a única participação dele foi a colaboração que deu ao ex-policial João da Silva Mendes, conhecido como “Mestre Caravelas”. Segundo o relato, “Caravelas” teria ligado solicitando ajuda para o cumprimento de um mandado de prisão. “Ele mostrou um documento que dizia ‘mandado de prisão’. Depois fomos ao encontro do ‘Talinha’”, disse. Conforme o acusado, Caravelas saltou do carro com uma arma na mão dando voz de prisão ao garoto, que estava acompanhado de uma amiga. Ele conta que, em seguida, se deslocou até a delegacia e deixou o policial e o garoto no local. Ao ser questionado se a delegacia estaria aberta ou não e que se alguém o teria visto, Douglas afirmou que a delegacia estava aberta. No entanto, não soube precisar se alguma pessoa o viu juntamente com Caravelas e Talinha. Ele também foi questionado sobre sua relação com os policiais. Douglas disse que o relacionamento era apenas comercial, já que trabalhava em uma empresa do ramo de recapagem de pneus, e que esporadicamente dava um apoio aos militares. “Tinha sempre uma viatura quebrada, daí eles me ligavam e eu ajudava”. Arrolado como testemunha de acusação, a presidente da Associação dos Familiares Vítimas da Violência, Odilza Sampaio, disse que em outro depoimento Douglas afirmara que naquele dia ele teria encontrado a delegacia fechada.

Edição EDIÇÃO 16962




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