CIDADES
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008, 21h:15
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TRANSPORTE
Microônibus sofríveis
População reclama da qualidade deste tipo de coletivo, graças às más condições físicas e a rapidez ao volante
DANA CAMPOS
Da Reportagem
Janelas soltas e sem muito espaço para a entrada de ar, falta de estofamento nos bancos, superlotação e calor. Estes são alguns fatores que fazem parte da rotina de centenas de pessoas que utilizam diariamente os microônibus como transporte coletivo na Capital. Conforme dados da Secretaria de Trânsito e Transportes de Cuiabá (SMTU), a frota deste tipo de veículo é de 86 carros, sendo que 78 estão diariamente no tráfego. Somados aos ônibus, a frota de coletivos da Capital é de 474 veículos. Conforme a vendedora Gisele Macaúbas da Costa, de 24 anos, o estado de conservação da grande maioria desses veículos é péssimo. Vejo passar vários aqui em frente, e a maior parte está destruída, relatou. Ela trabalha em uma sorveteria que fica em frente ao Morro da Luz, na avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), local por onde trafegam circulares que ligam todas as regiões de Cuiabá. De acordo com a vendedora, além dos estofados serem feios e sujos, os carros são muito barulhentos e os motoristas correm demais, destacou. Para a professora Dilmara Pereira Pires, de 30 anos, o problema maior enfrentado por ela diariamente é o calor, que segundo ela, é muito intenso. A gente sofre ainda mais nessa época do ano, disse. Ela mora no bairro Verdão e trabalha do outro lado da cidade, no Pedra 90. Todos os dias ela enfrenta quase duas horas de trânsito para se deslocar de casa ao trabalho. Dilmara costuma utilizar mais os ônibus. São mais espaçosos e confortáveis, com ar-condicionado, descreveu. Entretanto, não dispensa um micro, quando necessário. Eles costumam correr mais. Conforme a estudante Milgrib Reis, de 17 anos, o problema desse tipo de condução faz parte da rotina dos moradores do bairro. Ela mora no Parque Cuiabá e, conforme a jovem, a maioria dos microônibus está depredada. Evito pegar porque são muito velhos, sem ar-condicionado e os motoristas correm demais, reclamou. Já a moradora do Residencial Coxipó, Cristiane Batista Franzin, de 29 anos, disse que nunca viu esse tipo de transporte no bairro em que reside. Não me recordo de ter visto algum micro lá. Mas quando vou pegar meu filho na casa da avó, costumo pegar o que faz linha no Tijucal, e eles são bem conservados, explicou. De acordo com o diretor de Trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, Gabriel Neves Müller, constantes fiscalizações têm sido realizadas, tanto as pontuais duas vezes ao ano , como as esporádicas. E tem exigido a padronização dos veículos e os itens de segurança. Ainda segundo Müller, somente nesta semana três veículos sofreram impedimento, ou seja, foram proibidos de circular, sendo liberados somente depois das adequações solicitadas pelas equipes de fiscalização. Quando do último aumento da passagem do transporte para R$ 2,05, ano passado, as empresas de microônibus foram obrigadas a adequar a frota às exigências da SMTU, que incluíam a instalação de porta traseira, itens de segurança e catracas eletrônicas, além da padronização das cores.