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CIDADES
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009, 22h:05

ALTERNATIVO

Microônibus param por 5h na Capital

Trabalhadores do transporte coletivo alternativo paralisaram ontem as atividades, por cinco horas, em Cuiabá. Com data base em maio, os 360 funcionários cruzaram os braços das 5h às 10 horas da manhã para reivindicar o reajuste dos salários. Os 85 microônibus que operam no sistema foram levados para o pátio da Associação das Empresas de Transporte, no Carumbé, e só voltaram a circular após a categoria aceitar os percentuais de reajuste oferecidos pelos empresários. Os veículos fazem 35 linhas no transporte urbano da Capital. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Terrestre (Stett), Olmir Justino Fêo, para motoristas foram concedidos 9,29% de reajuste, para cobrador, 8%, e para os demais (manutenção e administrativo), 7%. Atualmente, a categoria ganha entre R$ 915 e R$ 552. Por outro lado, vários trabalhadores reclamam que estão com os salários atrasados e não têm carteira assinada. Este é o caso do cobrador Elivan Souza, da empresa Asa Branca. Ele contou que foi contratado há três meses, mas até hoje não recebeu. “Está tudo atrasado”, afirmou. Além disso, eles denunciam que vários microônibus estariam circulando em más condições, com pneus carecas, sem freio, lanternas amarradas com fio de varal e até com documentos vencidos. Um risco tanto para os trabalhadores como para os usuários. O diretor de Transporte da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (SMTU), Gabriel Muller, afirmou que o órgão tem fiscalizado e vistoriado os veículos duas vezes por ano. Ontem, conforme Müller, venceu o prazo que 32 empresas reprovadas receberam para corrigir as irregularidades detectadas nos veículos. “Se não adequaram, as empresas terão os microônibus retidos e ficam impedidas de circular”, garantiu. Em média, a vida útil dos microônibus é de 8 a 10 anos. A expectativa é que o serviço prestado pelo transporte alternativo também melhore com o novo modelo de sistema, o de tronco alimentador, que vem sendo estudado pela Secretaria. UNISERV – Durante a paralisação, alguns motoristas e cobradores denunciaram ter sido contratados pela União de Serviços e Comércio Ltda, empresa apontada em 2006, pelo Tribunal de Contas, como fantasma, e que presta serviços para a Câmara de Vereadores, desde a gestão de Chica Nunes, atual deputada estadual. Investigações da Polícia Civil apontaram que a gestão articulou um suposto esquema que desviou ao menos R$ 6,6 milhões dos cofres da Câmara de Cuiabá em 2005 e 2006. O motorista Valter da Silva Fernandes afirmou que trabalhou para a Uniserv um ano e dois meses, sem carteira assinada. Já o motorista Marco Sérgio Scandiani afirmou que foi contratado pela empresa pelo período de dezembro 2008 a maio deste ano e não recebeu. “Trabalhei seis meses e não recebi nada até hoje”, afirmou. Eles afirmam que a empresa teria sido comprada por Chica, mas foi colocada em nome de “laranjas”. “Ela (Chica) comprou os veículos e funciona em nomes dos arrendadores”, afirmaram. Por outro lado, o presidente do Stett, Olmir Fêo, observou que fez a denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE) ano passado, mas o caso teria sido arquivado por falta de provas. Por telefone, a reportagem do Diário tentou falar com a deputada, mas a assessoria informou que ela estava em reunião e que retornaria, o que não aconteceu. Segundo os trabalhadores, a empresa atende cinco linhas, entre elas a Itapajé/Santa Amália, Itamarati, São Sebastião e Santa Marta. “Todos circulam em péssimas condições”, frisaram.

Edição EDIÇÃO 16962




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