Apesar de estar quase toda equipada com estrutura para abastecimento de água, 50% da produção de Cuiabá se perde nas tubulações. A observação é do professor Rubem Mauro, coordenador do curso de Engenharia Sanitária da Universidade Federal de Mato Grosso. Ele afirma que, não fossem os sangramentos (similares aos gatos na rede elétrica) e os danos na rede, não haveria necessidade de mais produção para o abastecimento de água na Capital. O engenheiro Édio Ferraz confirma. Ele é diretor-técnico da Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) e vê no processo de ocupação da cidade a causa que mais influencia no desperdício e até na baixa qualidade da água límpida nas Estações de Tratamento (ETA), mas contaminada pelos danos nas redes de cimento-amianto com vida útil extrapolada. Com a explosão do crescimento demográfico na década de 1980, relembra o engenheiro, a grilagem ocupou Cuiabá desordenadamente sobre uma topografia irregular. E a infra-estrutura sistematizada do município não acompanhou. Hoje, a água se esvai pelas frestas existentes nos canos danificados, subterrâneos no centro da cidade, fruto de soluções provisórias e antigas para abastecimento. Obras ali significam transtorno para toda a cidade. Já o desperdício possui tanto causas culturais, como o comportamento inadequado dos consumidores, quanto a falta de hidrômetros (contadores de água) nos cavaletes das casas abastecidas pela rede. Em 2009, Ferraz diz que pretende padronizar a instalação de hidrômetros na periferia. Fora o desperdício, são os déficits estruturais que comprometem a rede, pois se pode afirmar que Cuiabá está bem servida de fontes para captação. O rio Coxipó está no limite de exploração (20% da vazão mínima, conforme estabelece o Conselho Estadual de Recursos Hídricos), mas o Cuiabá ainda possui enorme potencial. No último dia 18, exemplifica o professor, a vazão do rio foi de 265 metros cúbicos por segundo. As estações de captação, na margem cuiabana e várzea-grandense, não captam nem 2% desse potencial. (RD)