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CIDADES
Terça-feira, 04 de Janeiro de 2011, 21h:22

VÁRZEA GRANDE

Médicos rechaçam proposta e mantêm greve

Com 21 dias parados, profissionais decidiram não confiar por mais uma vez na prefeitura e pretendem acionar Justiça para receber o combinado

DHIEGO MAIA
Da Reportagem
A agricultora Evanilde Maria Nemes, 73 anos, repete mês a mês uma peregrinação pelo Centro de Especialidades Médicas de Várzea Grande. Ela não enxerga com o olho esquerdo e precisa passar por uma cirurgia de catarata. Com seis meses de espera, o problema da idosa se agravou com a greve dos médicos da cidade. O intervalo entre consultas e exames se estendeu devido à paralisação. Quando terminou todos os exames necessários para a cirurgia, dona Evanilde se frustrou. “Vou ter que fazer todos os exames, porque todos eles estão vencidos, não valem mais”, entristece. O bebê da dona-de-casa Elaine Franciele da Cruz, de apenas dois meses, precisa passar por uma cirurgia na mão esquerda, que está atrofiada. “Já é a segunda vez que venho aqui e nada de conseguir uma consulta”, reclama. Quem precisa de uma consulta com um psiquiatra no Centro de Especialidades da cidade vai ter que esperar mais. É que o único especialista na área aderiu à greve e as consultas estão a todo tempo sendo remarcadas. De braços cruzados há 21 dias, os médicos da rede básica de saúde de Várzea Grande não aceitaram a proposta salarial encaminhada pela prefeitura da cidade e decidiram, em assembleia realizada ontem à noite, manter a paralisação. Eles mantêm efetivo de 30% e só estão atendendo casos de emergência. Cirurgias eletivas e exames não estão sendo feitos. Os médicos reivindicam o cumprimento do reajuste salarial firmado na primeira greve deflagrada no início do ano passado. Na ocasião, o salário dos profissionais seria reajustado e sairia dos R$ 1,3 mil para R$ 1,6 mil já a partir de setembro de 2010, passando por outro aumento de mais R$ 300 em abril deste ano, chegando à marca de R$ 1,9 mil. O problema é que nada disso aconteceu. Eles agora vão ingressar na Justiça para que todas as reivindicações sejam cumpridas. De acordo com o médico Klewer Antônio da Silva, que trabalha no Pronto-Socorro da cidade, o salário não passou nem pelo primeiro reajuste. “Se a prefeitura não conseguiu cumprir o primeiro reajuste, quanto mais o segundo que reivindicamos. Por isso, nós vamos manter a greve”, enfatiza. Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso apenas o pagamento da verba indenizatória está sendo cumprida. A verba é uma espécie de compensação salarial. Aos médicos de postos de saúde e policlínicas ficou garantido repasse de R$ 1 mil. Já os que trabalham no Pronto-Socorro, o valor médio chega a R$ 2,5 mil. Pela proposta da prefeitura, os reajustes seriam pagos a partir de março deste ano. Segundo o secretário de Governo, Ney Leite, as finanças do município saíram do controle, o que provocou a greve da categoria. A prefeitura vai estudar nova medida para encerrar o movimento grevista.

Edição EDIÇÃO 16969




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