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CIDADES
Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011, 20h:57

ROTA MT-BOLÍVIA

Média é de 60 veículos roubados

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Com mais de 700 quilômetros de fronteira seca com a Bolívia, Mato Grosso será um dos principais prejudicados com a lei de nº 133 aprovada em junho deste ano pelo governo boliviano de Evo Morales, que permite a legalização de carros roubados que circulam pelo país vizinho. Em média, cerca de 60 veículos são roubados na Grande Cuiabá e levados para a Bolívia, onde são trocados por drogas ou produtos de contrabando. Além de Cáceres, a Polícia Civil tem identificado Tangará da Serra com uma das principais rotas do tráfico em Mato Grosso. “A lei, se não for revista, estimula o crime de roubos e o narcotráfico e a tendência é aumentar”, criticou o deputado estadual Emanuel Pinheiro, que participou ontem do 1º Fórum de Segurança Pública organizado pela Polícia Civil. A corporação contabiliza 2.441 carros roubados e furtados entre janeiro e setembro deste ano na Capital e Várzea Grande. Destes, 1.624 (66%) foram recuperados. No entendimento do parlamentar, a decisão do governo boliviano fere o estado cooperativo com o Brasil. Por isso, Pinheiro vem tentando diplomaticamente conscientizar o governo boliviano sobre a gravidade do problema. E, sem a reciprocidade da Bolívia, Pinheiro defende a retirada do consulado do país boliviano em Cuiabá. Titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Alana Cardoso, observou que o volume de carros roubados no Estado em sua grande maioria tem relação com o tráfico de drogas. “Sobretudo os veículos de maior valor”, frisou. Conforme ela, até então, uma das rotas mais usadas pelas quadrilhas é o município de Cáceres. Porém, Tangará da Serra tem se tornado uma das principais rotas usadas pelos traficantes. “Tem-se identificado um problema muito grande em Tangará da Serra, que tem se mostrado uma das principais rotas do tráfico em Mato Grosso”, informou. Pinheiro informou ainda que na Bolívia há inclusive uma tabela com preços de carros roubados. Segundo ele, no país vizinho, um carro popular vale um quilo de cocaína, uma Hilux, de quatro a cinco quilos da droga, e um caminhão Mercedes Bens pode ser “comprado” por 18 quilos de cocaína. Em média, conforme o deputado, investigações da Polícia Federal apontam que um quilo da droga custaria US$ 2 mil. No próximo dia 25, Emanuel Pinheiro deverá apresentar os resultados dos encontros a consulesa da Bolívia em Cuiabá, Patrícia Valdez Munguía, que participará de reunião na Assembleia Legislativa.

Edição EDIÇÃO 16962




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