CIDADES
Quinta-feira, 22 de Março de 2012, 21h:48
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JUSTIÇA
Marido é condenado 13 anos após o crime
Joselino Gomes de Souza, de 49 anos, foi condenado anteontem pelo crime de atear fogo e matar a esposa em 1999
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Justiça condenou a 16 anos e meio de prisão o motorista Joselino Gomes de Souza, de 49 anos, pelo assassinato da esposa, que morreu após ter o corpo incendiado. O crime ocorreu no dia 15 de agosto de 1999, no Jardim Itapajé, em Cuiabá, para onde o casal havia se mudado no dia anterior. No julgamento ocorrido anteontem à tarde, os jurados entenderam que as provas técnicas confirmaram que Joselino matou a esposa Marizeth Sales de Assis, então com 32 anos e grávida de quatro meses, ateando fogo nela após jogar álcool. Segundo o promotor de Justiça criminal João Augusto Veras Gadelha, os laudos de necropsia e de local confirmaram que Joselino ateou fogo na mala de roupas da esposa - que tinha decidido se separar dele - e, em seguida, colocou fogo nela. Com a alegação de que ela tinha praticado o suicídio, em 2008 ele foi absolvido, mas o MPE recorreu e ele foi julgado novamente. Familiares de Marizeth que acompanharam o julgamento ficaram satisfeitos, pois ao menos deixaram o Tribunal do Júri com a sensação de que o crime não ficou impune. Os jurados fizeram Justiça, observou o promotor. De acordo com investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o casal namorou durante três meses e conviveu durante outros sete. Em agosto de 1999, decidiram se mudar para o Jardim Itapajé, apesar de Marizeth estar sempre ameaçada pelo marido, que se embriagava, o que motivava discussões entre os dois. Um dia antes do crime, o casal fez um churrasquinho e Joselino ficou com ciúmes de um futuro vizinho - que participou da festa de boas-vindas - e o casal discutiu. Ele a espancou e, revoltada, Marizeth decidiu se separar dele. Ligou para a mãe que ficou de pagar o táxi. No domingo, já de malas prontas para ir embora, aconteceu o crime. Com queimaduras de terceiro grau, ela chegou a ser socorrida, mas morreu no Pronto-Socorro de Cuiabá. Na ocasião, Joselino alegou que a esposa tentou se matar. Os laudos, no entanto, desmentiram essa versão, uma vez que o crime não teve testemunhas. O laudo feito no local confirmou que o foco principal do fogo ocorreu no banheiro da casa. Pela perícia, ela estava sentada no vaso sanitário quando foi atingida pelo fogo. Marizeth sofreu ferimentos na cabeça, tronco e braços e pés, confirmando que estava sentada. Como não conseguiu desmentir o laudo, Joselino mudou a versão, alegando que a mulher tentou o suicídio e ele tentou apagar o fogo abraçando-a. Só que ele tinha queimadura nas mãos e nos pés, por causa do fogo que caiu no banheiro, afirmou o promotor. Os peritos confirmaram que o fogo na mala de roupas começou primeiro, indicando que a queimadura ocorreu na sequencia. As provas técnicas apresentadas aos jurados confirmaram que o marido foi o autor do homicídio, destacou o representante do Ministério Público. Para confirmar que não se tratou de suicídio, a irmã de Marizeth encontrou uma carta dela na bolsa, escrita antes da morte, relatando que o marido era violento e pretendia se separar dele. Como se trata de réu solto, Joselino deverá aguardar recurso em liberdade. O promotor João Gadelha lembrou que a sentença não poderá ser reformada e, mesmo que a defesa entre com mais recurso, dificilmente deverá diminuir a pena, uma vez que a vítima estava grávida de quatro meses. Como se trata de um crime antigo, o motorista deverá cumprir um sexto da pena pouco menos de três anos para ganhar a liberdade condicional.