CIDADES
Sábado, 05 de Abril de 2008, 14h:59
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CATEDRAL
Mais um ano sem relógios
Novamente não haverá recursos para o conserto dos históricos ponteiros da igreja Matriz e, desta vez, por falta de pleito
ALECY ALVES
Da Reportagem
O prazo para apresentação de projetos ao Programa de Apoio à Cultura (Proac), da Secretaria Estadual de Cultura, termina no dia 17 de abril e, mais uma vez, a proposta de recuperação dos relógios da Igreja Matriz (Catedral Metropolitana) ficará de fora do orçamento deste ano. A direção da igreja não apresentou o projeto que asseguraria a liberação dos recursos necessários ao conserto. Além disso, o pároco da Catedral, Antônio Tadeu da Silva, admitiu à reportagem do Diário que não está fazendo nenhuma articulação no sentido de buscar verbas para fazer os relógios voltarem a funcionar. A Coordenadora de Patrimônio Histórico do Estado, Maria Antúlia Levente, explicou que o governo poderia liberar, através do Proac, mantido pelo Fundo Estadual de Cultura (lei 8257/04), até R$ 180 mil. O valor, teto de financiamentos culturais no Estado, seria suficiente para os reparos necessários aos relógios, incluindo contratação de técnico especializado, troca de peças e outros serviços complementares. Conforme Maria Antúlia, caberia à direção da igreja elaborar e apresentar a reivindicação no Proac. Ela disse que há alguns meses esteve pessoalmente com o padre Antônio Tadeu, junto com outros técnicos da Secretaria de Cultura, conversando sobre a recuperação dos relógios. No encontro com o pároco, informou Maria, o religioso foi informado sobre a necessidade de apresentação do projeto. Naquela oportunidade, observou a coordenadora, um técnico chegou a subir nas torres e avaliar os custos da reforma, estimados em R$ 180 mil. Demonstrando irritação ao ser questionado sobre o assunto, o padre Antônio Tadeu primeiro disse que não se pronunciaria a respeito. Em seguida, contou que não sabia de prazo algum e que jamais havia se reunido com técnicos da Cultura. Ele se referiu a Matriz com um elefante branco, que na clássica definição popular seria algo enorme e incomum que incomoda e ninguém sabe para que serve. No entendimento do padre, consertar somente os relógios não resolveria o problema da Matriz. A igreja toda, reclamou, necessita de reforma e restauro. Você arrumaria a fachada de sua casa e abandonaria o restante?, indagou. As estudantes Ilza Martins Silva, 19 anos, e Jéssica Rodrigues, 17 anos, não se recordam dos relógios em funcionamento. Parece automático, todas as vezes que passo pela igreja, olho para as torres tentando confirmar as horas, contou Ilza, defendendo o conserto. Jéssica disse que recentemente, quando caminhava no Centro ao lado da mãe, Sandra, chegou a perguntá-la se ela se lembrava dos relógios em funcionamento. Parou há tanto tempo que nem minha mãe recorda de vê-los marcando as horas corretamente, lamentou a adolescente. No entendimento de Ilza Martins, se a decisão for mantê-los desativados, seria melhor a igreja substituir os ponteiros e números por pinturas com motivos regionais. REPAROS - Instalados nas torres da Matriz há quase quatro décadas, os relógios estão parados há pelo menos 10 anos. Entre 1999 e 2001, chegaram a funcionar por cerca de um ano e meio, após consertos financiados pela prefeitura. Antes disso, em 1993, já haviam passado por outros reparos, após um longo período sem funcionar. Além de presente no cotidiano da cidade, mesmo parados os relógios integram às imagens dos cartões portais de Cuiabá que apresentam a Igreja Matriz (Catedral Metropolitana) como um dos mais importantes patrimônios da cidade.