A luta de Maria da Penha inspirou a criação e homologação da lei que leva seu nome. Durante todo o período em que ficou casada com o professor universitário Marco Antônio Heredia Viveiros, Maria da Penha sofreu agressões e ameaças, até que o marido tentou matá-la com um tiro nas costas em 1983. Penha tinha 38 anos e ficou paraplégica após a agressão. O marido alegou que o tiro foi conseqüência de uma tentativa de roubo. Maria da Penha não se separou dele. Duas semanas depois do atentado, porém, Viveiros tentou eletrocutá-la durante o banho. Dessa vez, Penha decidiu deixá-lo. Na época, o casal tinha três filhas, entre seis e dois anos de idade. A farmacêutica denunciou as agressões e no mesmo ano a polícia começou a investigar o caso. O marido foi denunciado pelo Ministério Público Estadual do Ceará no ano seguinte. Viveiros só foi julgado oito anos depois do crime, quando foi condenado a oito anos de prisão. Após a decisão, os advogados dele conseguiram protelar o cumprimento da pena através de recursos. Durante todo o tempo em que o marido esteve livre, Penha buscou divulgar sua história na tentativa de conseguir justiça, até que apresentou o caso à Organização dos Estados Americanos (OEA), que intercedeu pela farmacêutica. Viveiro foi preso em 2002. (AC)