CIDADES
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010, 20h:04
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FEUDOS CAEM
Justiça determina que muros sejam derrubados
Duas paredes que obstruem passagens no Jardim Itália ferem direito de ir e vir
Nem mesmo a sensação constante de insegurança em alguns bairros serve de justificativa para os moradores fecharem ruas e criarem verdadeiros condomínios fechados. Embora seja frequente em Cuiabá, uma decisão divulgada ontem do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ) sobre o caso específico de ruas do bairro Jardim Itália vetou a prática com base na premissa de que as vias são de uso comum do povo e só podem ser interditadas com autorização municipal. E a prefeitura está autorizada judicialmente a derrubar os muros. O entendimento do TJ, que passa a servir para casos semelhantes, foi motivado por conta de uma ação do município contra moradores do bairro Jardim Itália, em Cuiabá, que levantaram muros cortando vias públicas a fim de assegurar a segurança dos locais. A Câmara Cível do TJ acolheu o recurso do município contestando a decisão de primeira instância, que afrontaria o direito de ir e vir, além do fato de que segurança pública é atribuição do Estado. O juiz de primeira instância havia concedido ordem para que o município deixasse de derrubar os muros feitos por moradores fechando as ruas Carrara e Tívoli. Ambos os muros obstruem a passagem dessas ruas para a avenida Itália, a principal do bairro. As pendengas judiciais e controvérsias sobre eles são antigas. Basicamente, a motivação dos moradores para construir os muros de três metros foi a preocupação com os altos índices de assaltos à mão armada. Eles também instalaram serviço privado de segurança. Já o desembargador relator do recurso, Rubens de Oliveira Santos Filho, declarou que, diferente do que alegam os defensores dos muros, não há comprovação de que a interdição das ruas que não obteve autorização municipal - tenha realmente resultado em menos riscos para os moradores e queda no número de delitos ali. Para o relator, cujo voto foi acompanhado pelo colegiado, os moradores receosos com a violência deveriam ter buscado outras maneiras de assegurar a segurança pública na região. Uma dessas formas seria solicitar reforço policial. Oliveira também expressou temer que, caso a prática de fechar as ruas por interesses particulares fosse legitimada, outros casos de privilégios privados às custas do bem público surgiriam. ITÁLIA Os casos emblemáticos do Jardim Itália foram necessários para que o Poder Judiciário estadual finalmente se posicionasse sobre a prática de fechar vias em prol da segurança particular de moradores. Com os desembargadores se posicionando contra, agora a prefeitura está sustentada pela Justiça para que tome as medidas necessárias para desobstruir as ruas interditadas. Há mais exemplos no resto da cidade, mas o próprio Jardim Itália coleciona outros casos ainda não analisados especificamente pelo TJ, mas que poderiam gerar igual entendimento. Exemplo é a rua Firenze, onde os moradores, além de levantar um muro, construíram uma guarita para abrigar um vigia.