CIDADES
Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010, 20h:07
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CASO ANA
Jovem foi morta por asfixia mecânica
Laudo da necropsia divulgado ontem reforça à polícia tese de que executor teve ajuda de outra pessoa. Principal suspeito é PM da Rotam
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O laudo de necropsia da corretora de imóveis Ana Cristina Wommer aponta que ela foi morta por asfixia mecânica hipovolêmica por sufocação. Para o delegado Márcio Pieroni, responsável pelas investigações, o laudo deixou claro que o autor do crime agiu em companhia de um cúmplice, pois o principal suspeito e a vítima não têm marcas de arranhão. O principal suspeito é o soldado PM da Rotam, Claudemir Nunes Sales, de 30, com quem a vítima teve um relacionamento extraconjugal e estava grávida de oito meses. Caso a vítima tenha sido morta com uma sacola plástica na cabeça, sendo sufocada, alguém ajudou o autor, pois a vítima não se debateu. Foi um crime de profissional, pois não deixou uma marca, observou o delegado. No momento em que era sufocada, Ana Cristina entrou em trabalho de parto. No entendimento de Pieroni, houve um duplo homicídio. O laudo de necropsia aponta ainda que a criança passou com vida pelo canal de parto, mas morreu por falta de ar. Desde a localização do cadáver, no dia 24 de agosto, o delegado tenta encontrar indícios de que mais de uma pessoa participou do crime, além do soldado Sales. Ele (Sales) é o principal suspeito de ser o autor do duplo assassinato. Para o delegado, a apreensão do carpete do porta-malas do Gol preto de placas AQR 1920, de São José dos Pinhais (PR), pertencente ao policial militar, é mais uma prova de que Ana Cristina foi colocada no veículo e jogada num terreno após o Distrito Industrial, na saída para Rondonópolis. Conversamos com a funcionária do lava-jato onde o carro foi lavado e ela nos confirmou o que já desconfiávamos: o carpete estava com muito sangue e havia muitos tufos de cabelo dentro do carro. O cheiro de sangue também era forte, frisou o delegado. A funcionária disse que, no dia 23 (de agosto), por volta das 11 horas, quando o soldado Sales foi buscar o carro que tinha sido deixado horas antes para ser lavado, ele checou o porta-malas e reclamou que o carpete estava intacto. Ele (Sales) arrancou o carpete e, de uma forma ríspida, pediu para a funcionária que lavasse imediatamente. Ela, por sua vez, alegou que quando o cliente pede uma determinada limpeza específica, que retire o acessório, destacou o delegado. Pieroni acrescentou que, com a confirmação de que Ana Cristina foi jogada no porta-malas do carro, as investigações tentam chegar até o local onde ela foi morta. Trata-se de um aborto arrancado. É isso que sabemos. Em seguida, a vítima foi colocada como um animal no porta-malas. A perícia no Gol havia confirmado a presença de sangue no estofado e também alguns cabelos. A apreensão do carpete trouxe mais indícios sobre a presença dos dois itens.